Mês de março e a cor da morte
A ferramenta da interseccionalidade nos possibilita desvelar a marca que sela os corpos e subjetividades considerados transgressores na realidade brasileira e que permeia Marielle Franco e tantas outras vidas

A ferramenta da interseccionalidade nos possibilita desvelar a marca que sela os corpos e subjetividades considerados transgressores na realidade brasileira e que permeia Marielle Franco e tantas outras vidas
O planejamento urbano contemporâneo é pensado a partir de categorias concebidas para a preservação do homem branco heterossexual e cisgênero como padrão normativo, reafirmando as hierarquias raciais e as construções sociais sobre os papéis de gênero
A mulher negra é tão “objeto que pertence à tal lugar ou indivíduo” que não pode ser vista como alguém capaz de sentir, que arde, chora e sonha tanto quanto os outros
Como as opressões se encontram e se intensificam quando nos deparamos com a realidade da mulher negra? Em que momento histórico essa dinâmica se estabeleceu, formando um conjunto complexo de violências diversas que operam entre si, provocando desdobramentos até os dias atuais?
A população de mulheres no Brasil é de 51%, mas apenas 12% das prefeituras são governadas por mulheres. As mulheres negras são 27% da população, mas ocupam apenas em 3% das prefeituras do país
Embora ainda pouco conhecido no Brasil, o conceito de justiça climática é definido pela conexão entre direitos humanos e as mudanças climáticas
Muitas mulheres negras foram historicizadas, porém, muito mais do que isso: mulheres negras construíram ativamente a história, a ciência, a realidade. Elas são presentes, construtoras e necessárias. Somos sabedoras dessa presença na genealogia ancestral que nos compõe e nos conduz. Por isso, esse texto vocaliza as nossas mulheres negras que estão pavimentando caminhos hoje, o que elas têm a nos dizer, a nos contar, a decidir? No reconhecimento de que os feminismos transnacionais se formam na pluralidade de mulheres, precisam delas e só se fazem mediante a escuta do que elas têm a dizer, apresentamos o material da pesquisa do Instituto Marielle Franco, na perspectiva de dialogar com os feminismos que nos sustentam, com outras e mais mulheres