O assassinato como política pública
Ao reforçar capacidade letal de suas polícias, lideranças políticas apostam que seu eleitorado aceita ser protegido através do extermínio.

Ao reforçar capacidade letal de suas polícias, lideranças políticas apostam que seu eleitorado aceita ser protegido através do extermínio.
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
A superexposição do presidente em roupas hospitalares, com fios e tubos entrando em sua boca ou pelo nariz, pode denotar uma estratégia de vitimização. Contudo, este artigo propõe lançar luz sobre um aspecto menos evidente dessa sua forma de aparição pública. Uma pequena intuição me sugere que a estética mórbida de Bolsonaro encontra uma ressonância na ideologia destrutiva do neoliberalismo.
O livro do jornalista e sociólogo Leandro Resende (disponível à venda no próprio site da Baioneta Editora) não só desmistifica o consenso acrítico que se formou em torno das Unidades de Polícia Pacificadora, como ainda demonstra a ruptura e quebra desse consenso a partir do desaparecimento de Amarildo.
Todas as retóricas que se construíram em torno da figura do acusado enquanto um policial que atuava na guerra às drogas de maneira firme, ao mesmo tempo em que era um bom pai e cidadão, encobriram, aos poucos, os cerca de oito processos, com mais de vinte mortes