Malabarismo semântico
O argumento da

O argumento da
Em 17 de março de 2011, o Conselho de Segurança da ONU deu o aval para uma ação militar contra o regime de Muamar Kadafi. Esse cheque em branco jurídico, que não tinha sido obtido nem na guerra do Kosovo nem na do Iraque, não levantou todas as questões relativas à incoerência moral do jogo das potências
Quem decide sobre a legitimidade de uma guerra? É preciso prevenir todos os conflitos? Como parar a engrenagem da violência? O fim do enfrentamento Leste-Oeste obrigou a repensar o sistema de segurança coletiva defendido pelas Nações Unidas
É possível falar em nome do bem público, do que é o bem público, e, ao mesmo tempo, apropriar-se dele. Esse é o princípio do “efeito Janus”: há pessoas que possuem acesso ao privilégio do universal, mas não é possível ter o universal sem ao mesmo tempo monopolizar o universalPierre Bourdieu
É raro pedir a motoristas pé de chumbo que reformem o código de trânsito. A débâcle da bolsa em 2008, porém, conduziu os gigantes das finanças para o posto de administradores de uma crise que eles mesmos provocaram. É o caso do banco Goldman Sachs, que há muito murmura nas orelhas do poder
Eleito em 2010 deputado, Manny Pacquiao promete ser ainda mais eficaz na política do que nos ringues. Como um slogan martelado indefinidamente, o boxeador repete sua determinação em erradicar a pobreza. Mas, até agora, o impacto do deputado-boxeador, que não esconde suas ambições presidenciais, mostra-se bem magroDavid Garcia
Em julho, os britânicos descobriram a natureza das práticas do hebdomadário News of the World. O desvio iluminou outros: concentração das mídias, mercantilização da informação, conveniências políticas. Uma concepção de imprensa encarnada pelo magnata Rupert MurdochJean-Claude Sergeant
O termo “islâmicos” reúne, sob o mesmo nome, Al-Qaeda, Hamas, Irmandade Muçulmana e Hezbollah, escondendo profundas divergências entre esses movimentos, ilustradas pelo reforço das correntes salafistas, adeptas da leitura literal da religião e do apoio ao poder
A secretária de Estado Hillary Clinton reconheceu no início de 2011: Al-Jazeera é uma emissora profissional, e os Estados Unidos perderam a guerra da informação. Ao levar para os lares imagens das insurreições árabes, essa emissora de televisão tem papel decisivo nas reviravoltas atuais da região
No Reino Unido, o escândalo criado pelo grupo de Rupert Murdoch revelou as destrutivas ligações entre jornalismo, polícia e política. Nos EUA, o papel do complexo midiático-financeiro cresceu ainda mais depois que uma decisão da Suprema Corte fez explodir o gasto corporativo nas campanhas eleitoraisRobert W. Mcchesnet
Enfrentamentos recentes entre sunitas e alauitas em Homs expuseram os riscos de guerra civil na Síria. Entretanto, a maioria dos manifestantes rejeita tais desvios e reclama por democracia. O poder reafirma querer reformas profundas, mas a sua credibilidade está minada pela violência da repressãoAlain Gresh
A crise econômica iniciada em 2008, o acidente nuclear de Fukushima e as revoltas populares no mundo árabe convergem para um questionamento do capitalismo mundial. Apesar das diferenças que guardam entre si, os três grandes acontecimentos que agitam o mundo revelam de maneira gritante os limites de uma mesma lógicaDenis Duclos