Algumas confusões contra cotas que o seu tio faz e nem sabe
Para você que é contra as cotas há aqui algumas certezas que você pode ter, separadas por itens, para explicar por que você está enganado

Para você que é contra as cotas há aqui algumas certezas que você pode ter, separadas por itens, para explicar por que você está enganado
A história da minha educação para o racismo me diz que fui racializada como branca para ser racista.
A primeira saída dos colonizados é o embranquecimento: assemelhar-se tanto quanto possível ao branco para, enfim, reclamar-lhe direito e reconhecimento. O embranquecimento passa pela admiração da cor do outro, o colonizador, pela aceitação da colonização e pela autorrecusa e até o ódio de si mesmo
O medo dos brancos está em reconhecer e discutir sua branquitude, porque ela foi criada principalmente através da violência racial. Isso não é um dado totalizante da branquitude, mas é um dos seus traços mais acentuados
A pandemia do coronavírus e as recentes manifestações antirracistas trouxeram de volta a pauta do movimento negro para a crista do debate na opinião pública. No Brasil, quando falamos de direito à comunicação e racismo, procuramos em geral travar um debate sobre representatividade na mídia, mas nos esquecemos, muitas vezes, de abordar questões relativas ao acesso
Nos Estados Unidos, uma pessoa negra é morta brutalmente, e a população sai às ruas fazendo-as arder, apesar da polícia, apesar da Ku Klux Klan. No Brasil, o assassinato insuportável de pobres, negros ou brancos quase negros de tão pobres, se rotiniza. Quando gera protestos nas favelas, logo a polícia dissipa, o tráfico controla, a milícia gerencia e a esquerda faz posts indignados
George Floyd, Christian Cooper e João Pedro Matos são três nomes para a lista infindável de mortos e vítimas de racismo no mundo. Mesmo após a abolição da escravatura, os centros decisórios de poder ainda enxergam a vida negra como descartável
Por que a morte de George Floyd comove tanto a elite branca brasileira que possui renda 74% superior, em média, em relação a pretos e pardos (segundo dados do IBGE), e as nossas mortes negras parecem fazer parte do noticiário cotidiano?
O racismo que alvejou a casa de João Pedro, matando-o, e o racismo que asfixiou Floyd, primeiro limita acessos, depois cria arquétipos sobre esses corpos que – cobertos por um véu – não são enxergados além da imagem criadas sobre eles
Quando crianças negras com uniforme escolar ou mesmo dentro de casa são mortas começamos a pensar como retiramos dos negros o futuro. Para ser preciso lhe delegamos um futuro: a morte