O escravismo entre o passado e o futuro
O filme O som ao redor, de Kléber Mendonça Filho, expõe a incompreensão do Brasil sobre si mesmo e sobre as raízes históricas da violência que atravessa nossa vida urbanaJoana Salém Vasconcelos

O filme O som ao redor, de Kléber Mendonça Filho, expõe a incompreensão do Brasil sobre si mesmo e sobre as raízes históricas da violência que atravessa nossa vida urbanaJoana Salém Vasconcelos
“Não há crise de liderança na África do Sul”, repetiu o presidente Zuma após massacre de Marikana. Criticado, ficou na defensiva. Escondeu-se atrás dos cantos de luta contra o apartheid. E se apoiou em números: casas construídas, ligação de luz… mas jamais empregos criados ou jovens negros saídos das universidadesSabine Cessou
Quatro anos após o naufrágio do Lehman Brothers nos EUA, a liturgia dos fechamentos de fábricas, das falências fraudulentas e dos escândalos bancários continua a dar o ritmo da economia. Aliados tradicionais dos acionistas e dos proprietários de empresas, os executivos se questionam. E, às vezes, vacilam em seu postoIsabelle Pivert
Recentemente, máquinas eletrônicas capazes de produzir objetos, tornaram-se acessíveis ao grande público. Elas suscitam paixões no seio de uma vanguarda, que enxerga na nova tecnologia o fermento de uma nova revolução industrial. Porém, essas ferramentas raramente são apresentadas no contexto que as viu nascerJohan Soderberg
Mobilidade do capital financeiro e centralização do capital produtivo à escala mundial. Essa convergência suscitou os surtos intensos de demissões de trabalhadores, a eliminação dos melhores postos de trabalho, enfim, a maníaca obsessão com a redução de custos. Não se trata de nenhuma inevitabilidade tecnológicaLuiz Gonzaga Belluzzo
“A esquerda deve voltar a falar com vontade do tempo de trabalho”, clama no Libération o socialista Pierre Larrouturou, partidário da semana de quatro dias. Mas será que a luta pela redução da jornada esgota a questão da relação problemática com o tempo que abarca as sociedades ocidentais contemporâneas?Mona Chollet
Em entrevista recente, Richard Sennet apontou a tendência atual de adoção de um modelo em que as organizações já não empregam trabalhadores, mas compram trabalho. O mesmo estaria se passando com o EstadoSonia Fleury
A palavra “competitividade” figura em todas as bocas e já não se restringe as empresas. Agora cidades, regiões e até mesmo as nações devem concentrar suas energias nesse objetivo. Com esse fim, nossos governantes são convidados a se inspirar nas teorias de administração desenvolvidas pelas escolas de comércio dos EUAGilles Ardinat
Segundo um preconceito generalizado e sustentado pela indústria agroalimentar, os obesos, incapazes de controlar seus desejos, seriam os responsáveis por sua condição. Esse discurso oculta um fenômeno em via de globalização. Puxar o fio da obesidade é descosturar o tecido do modo de vida das sociedades ditas avançadasBenoît Bréville
As metas do mercado nem sempre são as mesmas da sociedade. As regras que regem a administração de uma grande indústria – voltadas para a redução máxima das despesas e o aumento exponencial do lucro – não podem ser aplicadas na gestão da Seguridade Social. Aqui, muito mais do que valores, tratamos de vidasÁlvaro Sólon de França
Demissões em massa para uns, remunerações estratosféricas para outros: duplamente lucrativa para seus defensores, a globalização justifica ao mesmo tempo a concorrência que comprime os salários e os privilégios desfrutados por um jet-set apresentado como supranacionalMichael Hartmann
Em 1719, o escritor Daniel Defoe criou o personagem Robinson Crusoé, viajante, que naufraga em uma ilha na Venezuela. Para o economista Stephen Hymer, a vida que se compõe então – caça, agricultura e a submissão do nativo – constitui uma perfeita alegoria que funda o modo de produção capitalista: a acumulação primitiva