A Espiral da Insensatez
Silvio Caccia Bava

Silvio Caccia Bava
Desde a democratização no continente nos anos 90, os africanos se envolvem cada vez mais na gestão das cidades. É assim que o orçamento participativo chegou. Em 2010, 53 coletividades territoriais adotavam esse procedimento, agora o número saltou para 153, numa evolução encabeçada por Senegal, Camarões e MadagascarMamadou Bachir Kanouté
A imagem romântica de Che é só uma de suas faces. Teórico do socialismo, o companheiro de Fidel Castro criticou precocemente o modelo soviético, cujos impasses internos e desamparos externos ressaltou. Ele sonhava com um socialismo mais solidário e igualitário
Jovem militar influenciado pelo marxismo, Thomas Sankara tomou o poder em 1983. Por quatro anos, o “Che africano” multiplicou experiências inéditas em Burkina Faso: autossuficiência alimentar, ruptura da tutela neocolonial, ataques ao FMI. As potências ocidentais deixaram claro que não apreciam esse programa
A consolidação da direção popular com o governo de Evo Morales exige que o conjunto da sociedade considere que sua situação melhora como um todo, em razão das classes trabalhadoras dirigirem o país. Essa necessidade obriga a esquerda a levar em conta uma parte das necessidades de seus adversários
Silvio Caccia Bava
Em 1823, foi transformada em quintal dos EUA. Após 150 anos, Pinochet a convertia em laboratório do neoliberalismo. Mas nem as intervenções militares nem a tutela econômica foram suficientes: a América Latina resiste. Então, levantes? Revoltas? Revoluções? Não importa: os povos souberam dizer “não”
Os EUA apreciam pouco as revoltas populares. Quando os mexicanos começaram a impor uma transformação social e democrática, Washington não tardou a intervir. Ocupação de Veracruz, incursão no norte, apoio aos contrarrevolucionários: para denunciar essa interferência, Carlos Fuentes utiliza a literatura
Quais escritores estão se mobilizando em favor da Palestina? Esse silêncio perturbador – com notáveis exceções – marca uma ruptura com a longa tradição de engajamento que floresceu na Guerra Civil Espanhola. Na época em que Malraux, tal como Hemingway, Bernanos e Mauriac se levantaram contra Franco
1952-1972: qual é, ao término deste período, o balanço da revolução dos Oficiais Livres egípcios, dois anos após a morte de Nasser e quando El Sadat introduz uma mudança pró-EUA? Além da época e sua fraseologia, como não pensar nisso em 2011? A história se constroi em profundidade, a longo prazo…
Tudo parece separar a revolta dos zapatistas mexicanos e a dos islamitas egípcios. Mas, esses conflitos foram uma resposta a dinâmicas comparáveis: populações marginalizadas e religiosas, moradoras de periferias empobrecidas pelo neoliberalismo, se engajaram num combate contra poderosas forças armadas