Fluxos de capitais para países em desenvolvimento: volatilidade exacerbada na pandemia

Após a Crise Financeira Global de 2018 (CFG), surgiu uma nova fase de integração dos países em desenvolvimento na globalização financeira assimétrica, na qual sua exposição aos fluxos voláteis e pró-cíclicos de portfólio e aos ciclos financeiros globais (com co-movimento das condições financeiras globais e domésticas em todos os países) aumentou. Enquanto as economias emergentes …

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A ciência agoniza entre a austeridade e o fisiologismo

O descompromisso com regras é o comportamento sistemático daqueles que as constroem e juram defendê-las. No campo fiscal, a defesa oficial intransigente do teto se articula a expedientes diversos para contornar a regra. O exemplo da PEC dos precatórios é ilustrativo, criando limite dentro do teto para pagamento dos passivos judiciais do governo. Na prática, …

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O elevado lucro dos bancos no Brasil: resiliência nos anos 2015-2020

Os bancos brasileiros já passaram por vários testes ao longo da história, demonstrando uma capacidade de adaptação invejável, especialmente quando comparados com as instituições financeiras de economias semelhantes à nossa. O fim das receitas inflacionárias decorrente do controle da alta inflação que dominava a economia brasileira nos anos 1980 e a entrada dos bancos estrangeiros …

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A inflação brasileira na pandemia

Uma questão de grande importância é aquela concernente à razão pela qual a inflação se acelera e se dissemina com mais intensidade no Brasil do que em outros países, particularmente nos emergentes. Há pelo menos três fatores centrais a considerar na resposta a essa questão, crucial por seu papel na economia e no dia a …

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O Teto de Gastos, Indiana Jones e a Arca do Tesouro

Vejo e ouço as sabedorias da turma da Globonews e da CNN a ruminar as perplexidades com o pagamento dos precatórios. O espanto dos sábios da telinha foi provocado pela dificuldade de o governo Bolsonaro encontrar os recursos necessários para financiar a Renda Brasil prometida por Paulo Guedes. Nas falas de uns e nas conjeturas …

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Austeridade fiscal e clientelismo no orçamento público

“Longe de propor um Estado não intervencionista, o neoliberalismo concebe uma política de intervenção estatal em favor do mercado, que frequentemente coexiste com o crony capitalism, o capitalismo oligárquico, a serviço dos “amigos”, tão visível na Hungria de hoje, como também na Polônia, e esteve presente nos fascismos. A democracia aparece com frequência como um …

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O Brasil na contramão do mundo

Nos últimos anos, acumularam-se evidências a respeito dos efeitos positivos do aumento do nível de complexidade econômica para o desenvolvimento econômico. Os resultados seminais de Hausmann e co-autores [1] apontaram que o aumento da complexidade prevê crescimento significativo da taxa de crescimento da renda per capita no futuro. Hartmann e co-autores [2] mostraram ainda que …

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O mercado de trabalho na pandemia: pouco a comemorar

Quando a pandemia de Covid-19 alcançou o Brasil no primeiro trimestre de 2020, a economia não mostrava crescimento sustentável e o mercado de trabalho não estava conseguindo gerar empregos, como havia prometido a reforma trabalhista. De fato, já acumulava taxas de desemprego muito elevadas e crescimento da subutilização da mão-de-obra e da informalidade. Segundo os …

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Planejamento e risco de racionamento no setor elétrico brasileiro

O setor elétrico novamente surpreende o país. Um observador atento aos movimentos recentes certamente está perplexo. Graças ao trágico desempenho econômico no último quinquênio, na virada da última década, o consumo de energia ainda permanecia no mesmo patamar de 2014. Como explicar que, diante de tal desempenho, estejamos sob risco de racionamento?  O problema não é insuficiência de capacidade instalada. Para uma demanda de 70 GW, temos mais de 170 GW de potência. Como o parque gerador é predominantemente hidrelétrico, uma resposta …

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Os planos de investimento do governo Biden

Nos 100 primeiros dias de governo, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou dois planos de investimento, que, se aprovados pelo Congresso norte-americano, resultarão em gastos públicos da ordem de US$ 4,1 trilhões no horizonte de oito a dez anos. Esses gastos irão se somar aos US$ 1,9 trilhão do plano fiscal de …

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O desmanche do setor elétrico brasileiro

A agenda do setor elétrico no mundo hoje é definida a partir da transição energética, fruto da urgência do enfrentamento da crise climática. No caso desse setor específico, essa transição é sinônimo de descarbonização da matriz de geração de eletricidade, implicando em mudança radical da sua base de recursos naturais, com a retirada do seu …

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Moeda digital dos bancos centrais: implicações dos possíveis formatos

Introdução O tema da moeda digital é bastante vasto e o debate sobre essa configuração do dinheiro apenas começou. Há muitas questões importantes em aberto em relação a esse assunto e aqui pretendemos nos concentrar em um tipo específico de moeda digital, aquela de emissão dos bancos centrais. Antes de mais nada, é importante dizer …

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A economia política da política econômica no Brasil contemporâneo

Para discutir os obstáculos e limites ao crescimento com inclusão social numa economia periférica e globalizada deve-se partir das seguintes questões essenciais: é possível estabelecer nesse tipo de economia um padrão de política econômica produtivista, que almeje um catch-up com economias desenvolvidas e, distributivista, melhorando a distribuição de renda e riqueza e o perfil do …

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A desestatização do sistema Eletrobras

O sistema Eletrobras: do apagão ao Luz para Todos A Eletrobras atravessa mais uma forte tentativa de desmonte, a exemplo do que ocorreu ao longo dos anos 1990 e, como se sabe, culminou na crise energética e no apagão de 2001. As reformas neoliberais do governo FHC afetaram também o setor elétrico por meio de …

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Política industrial para a saúde além da pandemia

O atraso na entrega de vacinas para a Covid-19, que ameaça a aplicação da segunda dose de milhões de brasileiros, evidencia a dependência tecnológica e produtiva na área da saúde. Com a pandemia ficou explícita a interdependência global do mercado farmacêutico e a dependência mundial da produção de insumos farmacêuticos ativos (IFA), necessários para a …

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Como financiar o auxílio emergencial

Num país assolado por uma pandemia sem precedentes, cujo número de mortos já ultrapassa 400 mil, associada a uma situação social sem paralelo, no qual o desemprego, o subemprego e a informalidade atingem recordes históricos, o governo Bolsonaro retomou o programa emergencial em patamares insuficientes, a pretexto da inexistência de recursos fiscais para financiá-lo. Arguindo …

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Mais de que um plano: a nova grande estratégia

O que se está assistindo neste início de governo Biden é a montagem de uma grande estratégia. Nesse aspecto, cabe a comparação com o governo Ronald Reagan, que reorganizou a hegemonia estadunidense em moldes conservadores de ponto de vista social e neoliberal na esfera econômica. Enquanto Reagan deixou claro que o Estado não seria a …

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O fim do novo sindicalismo

O mapa da crise O mercado de trabalho brasileiro vive uma crise dramática. Não há indicador que aponte um cenário positivo para a classe trabalhadora, em curto ou médio prazo. A longo prazo, o cenário pode ser catastrófico. Isso porque as opções político-econômicas do Brasil, no último período, ressaltaram uma tendência neoliberal de desmonte de …

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Há um preço internacional do petróleo? Financeirização e combustíveis

A ciranda financeira de aplicações apostando contra as variações de preços ainda não definidos, atraindo recursos de outros mercados com aplicações mais tradicionais, foi possibilitada por mudanças regulatórias importantes. Estas reduziram os controles das aplicações, tanto dos fundos de pensão e outros investidores institucionais, que geralmente se mantinham distantes dos mercados de commodities, considerado muito …

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O teto dos gastos e o “desfinanciamento” do SUS

Em meio à crise sanitária provocada pela Covid-19, economistas de todos os matizes deveriam examinar como a política econômica pode sobredeterminar as causas de morbimortalidade de uma sociedade. David Stuckler e Sanjay Basu deram uma contribuição importante nesse sentido. No livro, publicado em 2013, intitulado The body economic. Why austerity kills, os autores criticaram, impetuosamente, …

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BNDES: as debilidades da TLP

Os empréstimos do BNDES têm tido um papel muito pequeno no combate à crise do coronavírus, apesar de o banco ter mais de R$ 100 bilhões em recursos líquidos em março último. Nesse momento em que famílias e pequenas empresas estão lutando para conseguir créditos que cubram as perdas inesperadas em suas entradas de caixa, …

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Membros do Observatório da Economia Contemporânea

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O mito da crise fiscal

Economistas, jornalistas e outros formadores de opinião de posição conservadora têm sido incansáveis em apregoar a inevitabilidade da crise fiscal. Segundo eles, o déficit fiscal inevitável, decorrente da pandemia, induziria a uma trajetória explosiva da dívida pública. Todavia, ressalvam, há uma tábua de salvação: o ajuste fiscal duro, com a manutenção do teto dos gastos, …

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As bravatas do bolsonarismo e as exportações brasileiras para a China

Em meio à turbulência com a saída de capitais de curto prazo da economia nos últimos tempos, a balança comercial brasileira se manteve relativamente estável. Em grande parte, devido à persistência das exportações para a China, que chegaram, em maio, a representar 40% do total nacional,frente a um patamar de 35% no mesmo mês do …

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A economia global no pós-pandemia

Não há quem considere que a crise econômica global atual seja independente da pandemia de Covid-19. Justamente por isso essa crise se distingue das passadas. Não se sabe ainda a extensão dos danos econômicos e sequer se já atingimos o fundo do poço. Apesar disso, tem-se discutido os cenários sobre como será a atividade econômica …

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O desafio da retomada

As implicações e consequências econômicas e sociais da pandemia têm se mostrado tão devastadoras quanto a sua dimensão sanitária. Com uma diferença essencial: enquanto os efeitos desta última por mais penosos que sejam têm prazo de validade, os das primeiras podem se projetar por um largo período, dependendo das ações que sejam postas em prática …

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A China (muito) além da “Sopa de Wuhan”

Acabo de ler o famoso documento lançado por intelectuais marxistas ou “críticos” badalados por nossas bandas. David Harvey, Slavoj Zizek, Alan Badiou e mais uma dezena de pensadores se colocam a pensar no mundo do entre e pós-pandemia. Sob o título de “Sopa de Wuhan” percebe-se um esforço de compreensão do futuro imediato sob as …

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Anatomia de um desgoverno: crônica de uma crise anunciada

Afinal, do que se trata o insólito governo Bolsonaro? Antes de mais nada, é importante ressaltar, não se pode dizer que haja propriamente um governo, no sentido de um conjunto funcional de decisões e ações, centrado no presidente e composto por ministros que conduzam políticas setoriais convergentes a um programa orgânico. O que é possível …

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Como financiar o Tesouro pela Conta Única?

A Covid-19, por ser extremamente contagiosa, pode acarretar sobrecarga em sistemas de saúde e milhões de mortes. Como ainda não existe vacina ou tratamento com eficácia controlada, a única forma de prevenção de contágio é o isolamento social intensivo, que vem sendo adotado por diversos países. Em compensação, o lockdown necessário para o combate dessa …

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Guedes, o ilusionista

A julgar pela atitude do ministro Paulo Guedes que na última quinta-feira, dia 26 de março, no meio da manhã, caminhava no calçadão da praia de Ipanema, a crise sanitária e econômica pela qual passa o Brasil não merece atenção particular. Essa interpretação pode parecer descomedida, mas o exame detalhado das medidas econômicas tomadas para …

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O contágio da bolha

O lançamento, pelo FMI, do Global Financial Stability Report, em outubro de 2019, despertou pouca discussão na imprensa e nos mercados, a despeito do seu sugestivo título: “Lower for longer”. No documento, o fundo defende a tese de que as taxas de juros nos países avançados e sobretudo nos Estados Unidos, foram mantidas baixas durante …

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Petróleo: geopolítica e finanças unidas na crise atual

Os preços do petróleo tiveram nos últimos dias uma das maiores quedas de sua história, com repercussões claras sobre os mercados financeiros e as perspectivas de crescimento mundial. Os impactos mostram a importância estratégica desse produto e seus efeitos sobre a organização produtiva e financeira do mundo. Choram, entre outros, os ideólogos do petróleo como …

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A nova estratégia do governo para desestatizações e desinvestimentos

O governo federal indicou, nesse início de ano, que pretende intensificar e acelerar seu programa de desestatizações e desinvestimentos. Em 2019 o governo levantou cerca de R$ 105,4 bilhões com privatizações e o volume executado de investimentos das estatais federais sofreu queda de 31,3%, caindo de R$ 84,8 bilhões em 2018 para R$ 58,3 bilhões …

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A China pode crescer mais?

O Birô de Estatísticas da China (BEC) anunciou, recentemente, a taxa de crescimento do PIB chinês para 2019. O índice ficou em 6,1%, a menor taxa desde 1990, mas dentro da meta estipulada pela governança chinesa de manter um ritmo de crescimento entre 6% e 6,5% a.a. Porém, uma série de questionamentos são lançados, sendo …

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Os limites do entreguismo: o fracasso do leilão do pré-sal

A partir da derrubada do governo Dilma Rousseff, entrou em operação um processo acelerado de desmonte da política para o pré-sal desenvolvida pelos governos Lula e da presidenta impedida. Esta se dava basicamente por meio de um controle posto em prática pela estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) e pela própria Petrobras, apoiado pelo marco regulatório …

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O mercado da dívida pública no Brasil

A gestão da política macroeconômica, especialmente das políticas monetária, fiscal, cambial e da dívida pública é crucial para entender a dinâmica econômica de um país. No Brasil, o debate acerca da administração dessas políticas nos últimos anos tem contornos especiais, principalmente por conta das recorrentes necessidades de financiamento do setor público e dos altos juros …

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Reforma tributária solidária: uma oportunidade para mudar o Brasil

O debate sobre a reforma tributária, atualmente em pauta no Congresso Nacional, talvez seja a maior oportunidade que teremos nos próximos anos de realmente mudar o Brasil. O sistema tributário brasileiro é injusto, complexo e retira competitividade de nossa economia. Além disso, ele se encontra totalmente desalinhado das boas práticas internacionais, com um peso excessivo …

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Internacionalização, desnacionalização e desenvolvimento

O Brasil tem um encontro marcado com seu desenvolvimento econômico e social, que depende da diversificação e sofisticação de suas bases produtiva e tecnológica. O processo de desnacionalização em curso não tem colaborado para atingir esse objetivo. Ao contrário, a desnacionalização, aprofundada pela globalização da economia, não promoveu as mudanças necessárias nas estruturas de produção …

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União Europeia-Mercosul: um acordo regressivo

No dia 28 de junho, houve o anúncio político da conclusão da fase de negociação do Acordo de Associação entre a União Europeia (28 países, incluindo ainda o Reino Unido) e o Mercosul. O acordo tem três pilares: econômico-comercial, político e cooperação. E, mesmo o primeiro pilar vai muito além de livre-comércio. Envolve regras sobre …

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Um novo centro de gravidade: a centralidade da “Questão Nacional”?

Direto ao ponto: placar da reforma da previdência: 379 x 131; na votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o escore fora de 367 favoráveis contra 137. Nas eleições à presidência da Câmara em 2015 – vencida pelo então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – Arlindo Chinaglia (PT-SP) obteve 136 votos. De imediato o que …

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BNDESPar: desenvolvimento e empresas nacionais

A carteira de renda variável do BNDES teve um ganho econômico de R$ 75 bilhões em cinco anos, mostra matéria do jornal Valor Econômico, de 2/7/2019, considerando a valorização das ações e os proventos recebidos. No fim de março, o valor total de mercado da carteira era de R$ 120 bilhões. As ações da JBS …

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Conversibilidade do real: menos autonomia e mais volatilidade

O atual presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Roberto Campos Neto, lançou dia 26 de maio uma nova agenda estrutural do BC, batizada agora de BC#. Um dos pilares dessa agenda é a simplificação, desburocratização e aprofundamento da liberalização do mercado de câmbio. Seu objetivo final, a ser alcançado em dois ou três anos, …

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Uma economia à deriva

Já é dado como certo por analistas econômicos que neste ano de 2019 a economia brasileira não superará o seu estado de anomia, oscilando entre a estagnação e uma recessão moderada. Do ponto de vista do curto prazo, que é o que mais interessa aqui, as trapalhadas políticas do governo Bolsonaro impediram que no seu …

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O problema das três regras fiscais

O governo federal contingenciou aproximadamente R$ 32 bilhões do seu orçamento neste ano. Como o total de gastos discricionários previstos para 2019 é de R$ 129 bilhões, o corte representa quase 25% dos recursos disponíveis e coloca em risco a continuidade de diversos programas públicos, da educação às forças armadas. O contingenciamento de 2019 seguiu …

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A privatização em “marcha forçada” nos governos Temer e Bolsonaro

O ministro da Economia tem intensificado suas declarações reafirmando a centralidade do desmonte do Estado e das empresas estatais na agenda do atual governo. Depois de reafirmar em entrevista recente que “gostaria de vender tudo e reduzir a dívida”, Paulo Guedes insinuou que Bolsonaro já começava a ter “simpatia inicial” pela venda de empresas estratégicas …

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O projeto de autonomia do Banco Central: independência dos políticos ou da democracia?

As pautas econômicas dos últimos anos compartilham uma característica: decisões de cunho eminentemente político são “vendidas” como sendo estritamente técnicas. O véu de tecnicidade perpassou todas as discussões da política fiscal e da reforma da previdência, ainda em curso, e agora alcança um novo campo: o da independência do Banco Central (BCB). Essa ideia está …

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Além de liberalismo e intervencionismo: a gestão da Petrobras nos 100 dias de Bolsonaro

Nos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro, além das reformas econômicas ultraliberais e das agendas ideológicas neoconservadoras, uma pauta silenciosa teve presença constante nos atos e verbos do Executivo: as transformações estruturais na indústria nacional de petróleo e gás. As medidas de desmonte levadas à cabo pelo governo foram inúmeras, como se verá adiante, mas …

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A pena e a tinta

O debate sobre teoria e política econômica que na atualidade tem mobilizado economistas e políticos progressistas, sobretudo nos Estados Unidos, recentemente reintroduzido no Brasil, no âmbito do mainstream, por André Lara Rezende (https://www.valor.com.br/cultura/6149939/andre-lara-resende-escreve-sobre-crise-da-macroeconomia), a despeito de relevante, padece de alguma dose de irrealismo. E isto não por conta do tema geral que propõe, bastante oportuno; …

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Lara Resende a meio caminho

Em artigo publicado semanas atrás no jornal Valor Econômico, o economista André Lara Resende, talvez um dos maiores expoentes do liberalismo econômico no país e o pater familias do Plano Real, colocou a moeda em cima da mesa e tratou de questionar a forma como a corrente dominante entende o seu papel na economia capitalista …

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Pré-sal: o ônus e o bônus do excedente

  O governo Jair Bolsonaro planeja realizar em outubro o maior leilão de reservas, exploração e produção de petróleo que o mundo já assistiu. O valor estimado para entrar no caixa só neste ano é de R$ 100 bilhões. Para tanto, aproveita-se de alterações na legislação introduzidas pelo governo Michel Temer que tornaram os leilões …

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Uma reforma iníqua

Talvez fosse uma esperança vã imaginar que operadores do mercado financeiro do quilate dos que hoje comandam a economia brasileira seriam capazes de pensar políticas sociais que, de fato, contribuíssem para a redução da desigualdade, ou pelo menos, para não agravá-la. A reforma da Previdência, necessária por conta da transição demográfica e, por que não …

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A intencional discrição do homem de Chicago

Fazendo jus ao frio mais-que-polar de sua Chicago, Paulo Guedes parece ter preferido hibernar nos primeiros 45 dias como superministro da Economia. Falou menos do que de hábito e, do que fez, pouco se sabe. Nos raros momentos em que botou a cara para fora, como em Davos, Guedes falou para os seus nada além …

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Vale: uma empresa financeirizada

A Vale é uma empresa bastante internacionalizada,[1] embora com uma estrutura produtiva pouco diversificada e concentrada em atividades extrativas, de metalurgia, energia e logística. Sua estrutura proprietária, desde a privatização em maio de 1997, foi pulverizada entre investidores institucionais, sobretudo estrangeiros.[2] A estrutura proprietária tem condicionado a adoção de uma estratégia corporativa financeirizada e de …

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Ladeira abaixo

Entre as grandes instituições multilaterais, financeiras e a mídia especializada, está formado o consenso de que a economia global não escapa de uma desaceleração a partir deste ano; de acordo com alguns indicadores parciais, ela já começou. A dúvida que persiste diz respeito à sua profundidade e à possiblidade de se converter numa recessão ou …

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Brasil: o desenvolvimento interditado

O reconhecimento da importância da atividade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e da inovação para o desenvolvimento é um dos raros consensos em economia. Embora haja discordância a respeito dos fatores que determinam o nível de P&D em cada país, há evidências robustas a respeito do impacto positivo da intensidade de pesquisa (P&D em relação …

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China: Qual o paradigma moderno? “Sinomics” ou o “Socialismo de Mercado”?

Artigo recente publicado na agência Xinhua (1), assinado por Zheng Xin e Wang Xiuqiong chama a atenção a um tema/questão cada vez mais recorrente entre os economistas, sobretudo heterodoxos: dado o longevo, robusto e resiliente crescimento econômico por quase quatro décadas, o caso chinês já pode ser considerado como um paradigma, nomeado, conforme os autores …

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O liberalismo panglossiano

Desde há algum tempo, e mais precisamente a partir de 2017, economistas e instituições ortodoxas, como por exemplo, o Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec), em vários relatórios, e o próprio Banco Central, em Financiamento amplo das empresas. Relatório de Inflação (jun. 2018), têm insistido na tese de que, finalmente, o mercado de …

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A retórica do “ajuste fiscal” e “mais do mesmo”

Invariavelmente, ao longo dos tempos, o debate sobre o ajuste fiscal toma relevância no debate econômico. Temos assistido a recorrentes revisões do desempenho fiscal, sendo que, nos últimos quatro anos, implicando déficits primários. A opção escolhida tem sido sempre a de cortar gastos. Mas, diante da dificuldade e mesmo impossibilidade em fazê-lo especialmente nos gastos …

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O que se pode esperar da economia no governo Bolsonaro?

O quadro atual da economia brasileira mostra uma situação de compasso de espera, com uma recuperação gradual e lenta: taxa de crescimento do PIB de 1% em 2017 e 1,4% em 2018 (segundo previsão do Focus). Já a taxa de desocupação se mantém bastante elevada, oscilando entre 12% a 13% desde o início de 2017 …

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A economia global: um cenário sombrio

O prognóstico dos organismos internacionais de manutenção ou leve arrefecimento do ritmo de expansão da economia internacional é ainda excessivamente otimista à luz do desempenho recente das economias desenvolvidas e dos seus mercados financeiros. Vislumbra-se um cenário mais sombrio que, caso seja confirmado, cobrará um preço elevado à economia brasileira, orientada pelos cânones ultraliberais do …

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Méritos e desafios de uma agenda externa multilateral

O entendimento das profundas mudanças nos fluxos internacionais de comércio e de investimentos nas últimas três décadas, refletidos na expansão das redes globais de valor e nas novas estratégias corporativas de geração e captura de valor, é fundamental para balizar as ações e negociações de política comercial e externa. Essas transformações ampliaram os riscos e …

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O cruzado tropical e as origens do liberalismo teocrático

A Razão de Estado enlouqueceu no Brasil? O choque não deveria surpreender mesmo aos que se omitiram nessas eleições de 2018, pois Jair Bolsonaro está fazendo exatamente o que se espera de qualquer governante eleito numa democracia: construir um governo à sua imagem e semelhança. E é essa imagem grotesca de um presidente pós-midiático que …

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A derrota da socialdemocracia?

Após anunciar o fim do Ministério do Trabalho, via incorporação em outra pasta, Bolsonaro incorre em novo recuo mantendo a referida pasta ministerial. Mas não nos enganemos, com ao menos um esvaziamento da pasta. Porém, uma das características fundamentais de Bolsonaro, e dos que o cercam, está na nitidez de princípios, meio e estratégia. E …

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Conjecturas sobre o governo Bolsonaro

Em países nos quais o Estado não é capaz de garantir de forma democrática os seus monopólios fundadores, o da violência e o da moeda, não raro surgem as soluções ad hoc para essas atribuições. No primeiro caso, por meio de restrições crescentes à operação do Estado de direito e de forma mais radical, pela …

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O que está em jogo na independência do Banco Central?

A independência do Banco Central (BC) é uma oferta do santo graal que políticos recorrentemente fazem ao tecnicismo e aos interesses do “mercado”. O BC brasileiro há algumas décadas tem autonomia operacional para executar a política monetária. A independência significaria conferir a seus diretores mandatos por períodos fixos e não coincidentes com o do presidente …

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Os óbices do financiamento

A campanha eleitoral está dando ensejo à discussão de dois modelos de financiamento do investimento na economia brasileira, em particular, na infraestrutura. Um, de fundamento liberal defendido por uma gama ampla de partidos, mas levado ao paroxismo pelo candidato Bolsonaro; o outro, de natureza desenvolvimentista suportado pelo candidato Fernando Haddad. No primeiro, a ideia força …

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As veredas da infraestrutura

Há consenso entre economistas de várias orientações sobre a importância da infraestrutura no desenvolvimento econômico. Além de dinamizar a economia no curto prazo, pela criação de demanda por materiais de construção e, principalmente, pelo aumento do emprego, a ampliação e melhoria da infraestrutura tem efeitos mais generalizados e permanente, tais como, a elevação da produtividade …

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Reservas internacionais e autonomia de política macroeconômica

Um dos temas econômicos do debate eleitoral entre os candidatos à presidência refere-se ao direcionamento de parte das reservas internacionais, seja para o pagamento da dívida pública, seja para o financiamento de investimentos no setor de infraestrutura (ver artigo de Ricardo Carneiro e Guilherme Mello). Essas propostas têm em comum a hipótese que a economia …

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Salário mínimo, pobreza e distribuição da renda

Um dos temas mais relevantes em discussão na campanha presidencial, pelo papel que ocupa na questão social, é o do futuro do salário mínimo e, mais precisamente, das regras do seu reajuste. É sabido que os extraordinários ganhos reais ocorridos no governo Lula, de 58,7%, teriam que ser moderados como ocorreu em 2011 com a …

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Reservas internacionais e financiamento do investimento

Uma controvérsia importante marca o debate econômico na atualidade: qual a conveniência de usar parte das reservas internacionais para financiar o investimento privado, em particular, aquele direcionado à infraestrutura? A proposta, defendida por alguns economistas, faz parte inclusive do programa de governo do PT, o qual pretende direcionar parte menor dessas reservas para co-financiar o …

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