O fim da eleição e a continuidade das tensões na Guatemala
A vitória de Alejandro Giamattei sobre Sandra Torres nem de perto significa trégua aos impasses do país centro-americano

A vitória de Alejandro Giamattei sobre Sandra Torres nem de perto significa trégua aos impasses do país centro-americano
Argentina, Equador, Brasil: por todo lado, o mesmo cenário. Dirigentes conservadores chegam ao poder após um longo período de governos de esquerda. Mal são eleitos, todos parecem premidos por uma urgência: anular as medidas de regulamentação da imprensa instauradas por seus predecessores a fim de controlar o poder político das mídias privadas
O premiado repórter da The New Yorker discorda de quem chama Nicolás Maduro de ditador e ouviu Guaidó declarar-se um “social-democrata” e fã de Bernie Sanders
O discurso “responsável” do centro teve um apelo nulo, enquanto as incongruências da direita começaram lentamente a cavar espaço na mídia convencional. A verdadeira funcionalidade do malabarismo discursivo direitista não é só desmoralizar a política e, assim, conquistar um voto de protesto. Trata-se de representar eleitoralmente a última ideia de uma sociedade moribunda: o Estado policial democrático
O cone sul está indo a passos largos em direção à tragédia: aumento da violência, precarização dos direitos, concentração da riqueza e violação sistemática dos direitos humanos. A presença das Forças Armadas está começando a ser parte dos discursos dos políticos num cenário próximo de explosão social.
A identidade na América Latina e Caribe é também um potencial para a autonomia política da região. A importância desta discussão se faz diante dos atuais recuos observados dos países do continente em relação ao projeto de integração que avançava nos governos anteriores, ditos progressistas
Na América Latina, os proprietários de grandes empresas arrebanham os cargos mais altos do Executivo: a presidência da Argentina, do Chile, do Paraguai, do Peru… Estudo confirma a ampla super-representação atual das elites econômicas também no seio do poder político legislativo
Ainda que o ataque à Unasul não signifique seu fim, ele não deixa de ser um indicativo de que existem motivações claramente políticas por trás da posição tomada pelos seis países que decidiram suspender sua participação
Podemos mudar o mundo sem incomodar muito os poderosos? Os governos latino-americanos progressistas, aceitando condicionar suas políticas de justiça social ao crescimento das exportações, facilitaram a tarefas daqueles que operaram para derrotá-los: com a economia em baixa, os caixas secaram… e a crítica fez a festa. E se a audácia começasse pelo imposto?
O desafio colocado em 2017 no Brasil não é de símbolos ou palavras de ordem, apenas, mas a esquerda precisa mostrar para a sociedade quais as saídas que poderão ser adotadas para a grave crise. É preciso enfrentar com clareza o novo momento, e levar em consideração que o atual estágio da economia não permitiria mais um Governo de consenso. Como diria o poeta: Nada será como antes, amanhã!
Em entrevista exclusiva ao Le Monde Diplomatique Brasil, a diretora executiva da Anistia Internacional Jurema Werneck analisa a escalada de violência no estado do Rio de Janeiro: “Está vivendo as consequências da ausência completa de política de uma segurança pública efetiva e estratégica – que foque na prevenção e não na repressão, ou que priorize o controle de armas e redução de homicídios”.
Nadine Nascimento
De acordo com Donald Trump, a fronteira entre Estados Unidos e México seria uma peneira que somente a construção de um “grande e belo muro”, de 3,2 mil quilômetros, poderia tampar. Contudo, os norte-americanos não esperaram o novo presidente para caçar imigrantes clandestinos. No Arizona, o deserto, as patrulhas policiais e as milícias já cuidam desse serviço