‘America 250’ e a prioridade hemisférica em Trump 2.0
Hemisfério Ocidental, América Latina e a persistência das hierarquias na política externa dos EUA

Hemisfério Ocidental, América Latina e a persistência das hierarquias na política externa dos EUA
A nova onda da exceção expressa o meio que os governos lidam com os anseios frustrados de suas populações e com o poder do crime organizado
América não é somente uma palavra, tampouco é meramente um país ou continente, ela é um sentimento em permanente disputa
Populações latino-americanas passam a ser simultaneamente tratadas como mercado consumidor e como ameaça interna, enquanto a valorização cultural convive com xenofobia, deportações e criminalização de migrantes, independentemente do governo dos Estados Unidos
Os sinais otimistas dos anos 2000 deram lugar a uma crise generalizada no país, em um fenômeno que reflete e é refletido pela queda de Evo Morales e do MAS
Apesar de ainda termos pela frente a gigantesca tarefa de ampliar, entre nós, brasileiras e brasileiros, o conhecimento sobre a América Latina e de contribuir para a construção de uma identidade latino-americana, a região tem sido, há muito tempo, objeto de reflexão e pesquisa na universidade pública brasileira
A invasão da Venezuela funciona, assim, como advertência e laboratório
Aqueles de nós que estavam lá, especialmente aqueles que vivem nas regiões que sofreram aquele ataque, não apenas sofremos materialmente, mas também sofremos um profundo impacto psicológico, emocional e moral
A derrubada rápida de um regime vizinho, sem capacidade de dissuasão militar, envia um recado universal: governos economicamente frágeis, isolados diplomaticamente e sem base social consistente tornam-se alvos potenciais
Quem tem o direito de derrubar governos?
O presidente dos EUA violou gravemente o Direito Internacional ao realizar uma operação militar em território venezuelano, caracterizada como crime de agressão por ferir a soberania de um Estado independente e a Carta da ONU
Ao contrário do imaginário difundido, a política externa norte-americana jamais esteve intrinsecamente comprometida com a promoção da democracia