Brasil como laboratório da insurreição fascista – II
Enfrenta-se o problema do fascismo brasileiro exatamente pela via que o mais alimenta: a militarização da sociedade brasileira, a segurança como registro de governo

Enfrenta-se o problema do fascismo brasileiro exatamente pela via que o mais alimenta: a militarização da sociedade brasileira, a segurança como registro de governo
Como explicar que, sem apoio da mídia, de grande parte do patronato e das elites políticas conservadoras, as redes do ex-presidente Jair Bolsonaro tenham tentado um golpe no dia 8 de janeiro? Talvez pela esperança de que os militares se juntassem a eles. Apesar do fracasso do golpe, a corrente política encarnada pelo ex-presidente demonstrou que não precisa mais de seu mentor para existir
O acúmulo de fatos contra Bolsonaro indica ter ele supostamente praticado improbidade e inúmeros crimes, inclusive contra a “consciência universal” – uma catástrofe humanitária –, os quais poderão levá-lo à prisão, à inelegibilidade e à condenação a reparar danos. Mas ele e o bolsonarismo não desaparecerão
Não foram poucos os sinais de que muitos integrantes das Forças Armadas e das polícias apoiavam os atos antidemocráticos. O bolsonarismo era e ainda é muito presente entre policiais, e a sensação de que ninguém seria punido por manifestar essa predileção era real
A vitória acachapante das forças democráticas contra o golpe bolsonarista gera dois riscos: a acomodação e a conciliação com setores que foram lenientes com o golpismo são um deles; o outro é nos contentarmos somente com a punição dos milhares de envolvidos, principalmente se o ex-presidente Bolsonaro for considerado inelegível ou mesmo preso
Apesar de os migrantes não terem direito ao voto no Brasil, fazem parte da sociedade brasileira e são foco de grupos da extrema direita
Se você, como eu, já chamou Bolsonaro de fascista e já recebeu críticas ao uso não rigoroso do termo fascismo, pode ficar tranquilo. Temos um bom fundamento teórico e prático
Como o Clube da Esquina II mapeou o sentimento anti-bolsonarista há mais de quatro décadas
Pode-se atribuir muitas coisas às Jornadas de Junho de 2013, inclusive de ser um elemento que contribuiu para a instabilidade do governo Dilma, contudo, além de estar longe de ser o único e determinante, as mobilizações populares em torno de pautas de esquerda fazem parte da própria história do Partido dos Trabalhadores
Se acreditar basta, comprovar não é preciso. A perigosa mistura de autoritarismo evangélico e marketing digital cegou metade da massa de votantes. Durante Bolsonaro vivemos a irrupção do descrédito na ciência
Apesar de aparentemente ultrapassado o terror vivenciado na capital federal, não podemos esquecer que a conclusão do bolsonarismo, ainda alimentado por seus financiadores intelectuais e econômicos, é de que não há resposta satisfatória à República
EUA e Brasil enfrentaram agudos assédios na transição de poder. Prédios governamentais foram depredados. Outros países em que o autoritarismo ascendeu ao poder regrediram na agenda de direitos e na participação popular. Por que é tão fácil assediar democracias?