Transe e vertigem: sair de si para retomar o movimento
Confira resenha do livro Do transe à vertigem: ensaios sobre bolsonarismo e um mundo em transição, escrito pelo filósofo Rodrigo Nunes e lançado neste ano pela Ubu Editora

Confira resenha do livro Do transe à vertigem: ensaios sobre bolsonarismo e um mundo em transição, escrito pelo filósofo Rodrigo Nunes e lançado neste ano pela Ubu Editora
A astúcia desse ataque está na forma estética em que a extrema-direita amalgamou os múltiplos afetos e sensações que marcam os nossos dias – medo, raiva, angústia, frustração, ressentimento, ansiedade, insegurança etc. –, oferecendo um reconfortante retorno imaginário à comunidade aos seus novos e velhos adeptos, além, é claro, de produzir formidáveis bodes expiatórios para os problemas complexos do mundo e a decadência das condições de vida, a quem as pessoas poderiam dedicar o seu ódio a vontade
O fato de Olavo, um antifilósofo, ter sido elevado à categoria de “pensador” e ideólogo da direita tupiniquim dá mostras do abismo em que nos encontramos
Entre derrotas, como as de Trump e de Bolsonaro, e vitórias, como de Meloni na Itália e a manutenção de alguns líderes no leste europeu, a extrema direita mantém-se viva aos solavancos
É preciso fortalecer as instâncias mediadoras da modernidade que coajam e constranjam os bolsonaristas a respeitarem os acordos de convivência social
Esses que fomentam e participam de movimentos neofascistas não são doentes e nem loucos
Neste artigo, produzimos um rápido panorama da operação do bolsonarismo na Câmara dos Deputados, com atenção aos partidos do Centrão, e nos governos estaduais. Ainda que a vitória de Lula tenha colocado fim ao governo Bolsonaro, não é possível afirmar que o bolsonarismo, entendido como um conjunto de ações e discursos conservadores e autoritários, tenha terminado
A ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo dialoga com as marcas de continuidade com o passado autoritário e com a tradição do anticomunismo. Porém, é importante destacar que não se reduzem à reprodução desse passado, sendo também construções do tempo presente, reações a mudanças políticas que ocorreram após a Constituição de 1988 e durante os governos do PT
Dos resultados nas eleições à capacidade de pautar o debate público, não faltam sinais de consolidação da ultradireita. O diagnóstico ainda deixa, todavia, perguntas no ar. Qual é o papel de Bolsonaro? Há uma coincidência entre bolsonarismo e ultradireita? Para onde vai a parte da coalizão bolsonarista afinada com os discursos e performances da direita tradicional?
Até a posse de Lula na Presidência da República, haverá tensão política, violência e instabilidade institucional crescentes. A extrema direita, recusando-se a aceitar o resultado das eleições, propõe o golpe de Estado e a violência aberta contra os petistas e seus aliados.
Sobre os escombros da democracia, a partir da costura de uma frente ampla encabeçada por Lula, o que podemos esperar da vida pública, econômica e política, nos próximos anos e no próximo período de governo?
O futuro ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao reconhecer indiretamente o resultado das urnas das eleições para Presidente de 2022, alegou sempre ter jogado “dentro das quatro linhas da Constituição”. No entanto, ficou um questionamento: quais são as tais ‘quatro linhas da Constituição’ sustentadas pelo derrotado nas urnas?