Por que as crenças não morrem – ou o efeito “apito de cachorro”
Os seguidores do atual presidente Jair Bolsonaro, quando confrontados com a quebra de sua crença na reeleição, experimentaram a chamada dissonância cognitiva

Os seguidores do atual presidente Jair Bolsonaro, quando confrontados com a quebra de sua crença na reeleição, experimentaram a chamada dissonância cognitiva
Ao longo do governo Bolsonaro tivemos diferentes falas alegando uma certa insanidade ou “loucura” do presidente, e, agora, vemos pessoas pedindo pela “intervenção psiquiátrica”. É preciso problematizar que o que está sendo denominado de “loucura” precisa ser reconhecido como parte de um projeto de sociedade.
Bolsonaro despejou bilhões na economia de modo eleitoreiro e mesmo assim perdeu a disputa presidencial. A democracia venceu a eleição contra o autoritarismo. Esse triunfo não encerra a disputa das forças democráticas contra o bolsonarismo autoritário
O transe coletivo de apoiadores de Bolsonaro após sua derrota nas urnas produziu uma série de ações como resposta ao sofrimento inscrito na estrutura neurótica: sofrimento que advém, neste caso, do déficit entre a realidade dos fatos e a psíquica
Encerradas as eleições, uma reflexão desafiadora se impõe sobre o lugar da religião nesse processo. Das tantas possibilidades de análise, acompanhando o que já vinha sendo indicado por colegas pesquisadores das diferentes áreas das ciências humanas e sociais, proponho neste artigo nos determos em um elemento de destaque que provoca interrogações sobre o futuro próximo do cenário político do país: a consolidação de uma direita cristã brasileira
O que temos como resultado das eleições é uma vantagem apertada de uma ampla coalizão política, a mais ampla formada desde o início da Nova República. Ampla e forte o suficiente para iniciar a reconstrução democrática do país
Lula venceu Bolsonaro em uma eleição que colocou o povo brasileiro a escolher entre a continuidade de um projeto autoritário de país e a retomada da construção da nossa democracia
Nas últimas 48 horas que antecederam o primeiro turno, foi possível notar uma intensa movimentação em torno do disparo de notícias falsas, que ganharam força e se disseminaram mais facilmente. Essa situação pode se repetir nos últimos dias do segundo turno.
O assédio religioso é uma característica do segundo turno das eleições de 2022, marcado pelo aumento exponencial no número de relatos de ameaças de expulsão, perseguição, coerção explícita e propagação de fake news dentro da igreja evangélica.
O recado das urnas é simples: esse fenômeno massificador que autoriza a prática do mal desde que ele venha do coração veio para ficar. Sua lógica sugere que o mal autêntico é o bem porque o bem é a sinceridade
Confira reportagem da edição uruguaia do Le Monde Diplomatique sobre as eleições brasileiras
Se a sociedade brasileira não é composta de mais de 50 milhões de fascistas, o que explica a adesão em massa ao bolsonarismo?