A raiz radical que fortalece o bolsonarismo
Confira reportagem da edição uruguaia do Le Monde Diplomatique sobre as eleições brasileiras

Confira reportagem da edição uruguaia do Le Monde Diplomatique sobre as eleições brasileiras
Se a sociedade brasileira não é composta de mais de 50 milhões de fascistas, o que explica a adesão em massa ao bolsonarismo?
Numa democracia, opositores políticos devem ser vistos apenas como adversários, detentores de cidadania. Por isso, a instigação popularesca que apela emocionalmente para nomeação de um inimigo público é preocupante
Os resultados do primeiro turno das eleições, para desânimo de muitos do progressismo, evidenciaram o que agora parece tão óbvio: o bolsonarismo pode e deverá continuar após Bolsonaro. E isso é possível justamente porque o bolsonarismo é a versão atual – neoliberal e necropolítica – do “fascismo eterno” brasileiro, mácula constitutiva de nossa sociedade
O PT sofre novamente com a abstenção eleitoral e ainda carrega o desafio de unir o Brasil em torno de um projeto democrático e popular. Há anos, os institutos de pesquisa têm sofrido com a pressão decorrente de divergências entre seus números e os resultados eleitorais. Bolsonaro se vale da estratégia de desacreditar tudo aquilo de que ele não gosta, e a grande imprensa tem prestado um serviço tecnicamente muito questionável.
Se Lula teve agora seu melhor desempenho nas urnas, Bolsonaro avançou, igualmente, e obteve 1,7 milhão de votos a mais, se comparado ao primeiro turno das eleições em 2018, indicação clara da consolidação do bolsonarismo
A última fronteira da intervenção militar nas eleições foi conquistada em um acordo com o TSE para fiscalização in locu das urnas eletrônicas. Ora, simplesmente isso significa que deixamos, em última instância, ao crivo dos militares, a palavra final sobre a lisura do processo eleitoral
Nestas eleições, o tema mais urgente é a ameaça à democracia representada pelo bolsonarismo. Neste texto, vamos desbordar três dimensões de análise para pensar o atual momento histórico da democracia brasileira que corroboram a tese sobre a importância de evitar o segundo turno com Bolsonaro
Este artigo finaliza com uma série de pistas e questões que surgem das análises anteriores, particularmente no que se refere à progressiva hegemonia de valores e práticas de um populismo neoliberal de direita; às mudanças em relação ao discurso do candidato; à religiosização e moralização do discurso; à ressignificação da liberdade; ao uso estratégico das mídias sociais e da emoção, do medo e das fake news. E, por fim, procura responder à pergunta: quais as expectativas para o futuro do bolsonarismo?
O tempo da política que se materializa nos períodos eleitorais é um dos momentos-chave de disputa hegemônica de visões e projetos de um país numa democracia. Leia o primeiro texto da série Deus, pátria e família que busca analisar os discursos nesse momento pré-eleitoral.
É, em meio às eleições mais importantes desde a redemocratização do país, que ocorrerão manifestações de apoio à candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, no 7 de Setembro do bicentenário da Independência do Brasil. O simbolismo não poderia ser mais icônico: coração, tratores e canhões. Essa é a tríade mística que será invocada e ela diz muito sobre o país que vem sendo construído nos últimos anos
A depender da campanha de Bolsonaro, os discursos religiosos serão cada vez mais fervorosos em nome de “Deus” e o maniqueísmo tomará conta das eleições presidenciais