A biopolítica do bolsonarismo e a ideologia do “cidadão de bem”
O bolsonarismo tem como lógica de funcionamento a ideia de uma guerra, para a qual a população e os seus principais representantes deveriam estar preparados se quisessem sobreviver

O bolsonarismo tem como lógica de funcionamento a ideia de uma guerra, para a qual a população e os seus principais representantes deveriam estar preparados se quisessem sobreviver
O terrorismo estocástico revela mais do que uma mera disputa política. Revela uma sociedade adoecida e sedenta de mudança. Revela uma tarefa urgente que somente pode acontecer pela razão, limitando os impulsos da barbárie fascista.
O ex-presidente Lula integra a realidade discursiva da bolha bolsonarista nessa função de ser o sintoma a partir do qual o grupo se une e devota toda a energia no ‘mito’ salvador. A devoção a Bolsonaro é libidinal.
O assassinato do petista Marcelo Arruda pelo agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho, bolsonarista, já não deve ser mais o último ato de violência política dos bolsonaristas contra os opositores do presidente. E as ameaças continuam.
A necropolítica é um processo que acompanha a América Latina especialmente desde a segunda metade do século passado. Ditaduras militares no Brasil, Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai e Bolívia foram exemplos de regimes de extermínio e de violência política contra opositores
É sabido que a potência do púlpito ajudou a eleger Bolsonaro. E também é sabido como isso fortaleceu pautas pouco laicas no Congresso nesses quatro anos de miséria na mesa, no bolso e na imaginação
Este texto levanta a hipótese de que o bolsonarismo não pode ser considerado uma expressão pontual e passageira de irracionalidade política. Propomos interpretar o bolsonarismo como a expressão de uma profunda transformação da acumulação de capital e da sociedade de classes no Brasil, primeiro ensaio hegemônico de setores vinculados às cadeias produtivas de commodities minerais e agrícolas galvanizados em torno do horizonte estratégico de intensificação da acumulação primitiva sobre a região amazônica.
O “cidadão de bem” é a ficção que sustenta o projeto neoliberal que está em curso: um projeto militarizado, racista, misógino, lgbtfóbico, capacitista
Não causa estranheza que no Brasil pós-golpe de 2016 e com a ascensão do bolsonarismo retornem discursos eugênicos, amparados pela única – e falsa – visão científica que acreditam: o darwinismo social
Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, Bolsonaro cresceu 9 pontos percentuais na intenção de votos no eleitorado evangélico e volta a ser o preferido deste público. A distância entre Lula e Bolsonaro agora é de 17%.
Bolsonaro e Trump nunca tiveram a intenção de corrigir os problemas relacionados à desigualdade econômica e à exclusão política crescentes em seus respectivos países, mas sim se valer destes para se locupletar com base na promoção de um salvacionismo mais que tudo auto interessado
Depois de dois anos de uma pandemia seriamente agravada pela irresponsabilidade de Bolsonaro, como explicar que 40 milhões de brasileiros ainda apoiam o governo federal?