Quando o crime organizado chega ao poder
E se o crime organizado realmente governar o Brasil?

E se o crime organizado realmente governar o Brasil?
Diante de um sistema prisional falido e de facções criminosas hipertrofiadas, a redução pura e simples da maioridade penal surge não como solução de contenção, mas como um perigoso mecanismo de retroalimentação da própria violência urbana
Afastados pelo presidente Rafael Correa (2007-2017), os Estados Unidos retomam progressivamente seu espaço no Equador, com o consentimento de Quito. Sob o pretexto de combater o crime organizado, eles consolidam assim sua presença militar na América Latina e no Pacífico. Santuário natural único, as Ilhas Galápagos constituem um dos principais pontos de apoio desse reposicionamento
Dois grandes debates da sociedade brasileira parecem ter se cruzado no polêmico PL Antifacção: o combate ao crime organizado e os ataques à soberania nacional brasileira
A militarização seletiva, somada à falta de inteligência integrada, produz o efeito inverso: fortalece as redes criminosas transnacionais
As facções brasileiras operam de forma descentralizada, com lógicas autônomas que dificultam pactos duradouros. Ainda que existam momentos de convergência estratégica, eles tendem a ser curtos, parciais e territorialmente desiguais
Por muito tempo, a máfia japonesa foi uma lenda. Agora, com a determinação de excluí-la da sociedade e o fortalecimento do controle policial, a Yakuza perdeu 70% de seus membros em quinze anos. Ela tem cada vez mais dificuldade para sobreviver. E, ao perderem ligação com os dirigentes econômicos e políticos, seus membros pouco a pouco abandonam o “código de honra”
Em 29 de maio de 2022, os colombianos irão às urnas eleger seu presidente. Pela primeira vez na história, a esquerda, com Gustavo Petro, pode vencer. Apesar do renascimento de um movimento social poderoso, governar o país não seria fácil. A aliança histórica entre o poder econômico e o crime organizado é um grande obstáculo, como ilustra o caso de Medellín
Minado pela violência do crime organizado e frequentemente considerado “falido”, o Haiti não tem seu destino nas mãos, vítima do intervencionismo constante das instituições internacionais e das grandes potências. Farsas eleitorais, políticas públicas ineficientes e estagnação econômica empurram haitianos para o caminho do exílio
O governador Camilo Santana (PT) anunciou uma reforma administrativa e alterações substanciais na correlação de forças e doutrinas do governo cearense. Na prática, isso significou o alinhamento com sua política de segurança pública, voltada para uma forte e letal “guerra contra o crime organizado”, introduzindo doutrinas de choque dentro dos estabelecimentos penais
Protestos realçaram a visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, à França em julho. Tortura, massacres, desaparecimentos: diversas organizações denunciaram a responsabilidade do Estado em atos cotidianos para os mexicanos.Sergio González Rodríguez