Globalização, nacionalismo e internacionalismo
É imprescindível adotar uma abordagem crítica, capaz de superar dicotomias simplificadoras e reconhecer a complexidade dos processos históricos e sociais contemporâneos

É imprescindível adotar uma abordagem crítica, capaz de superar dicotomias simplificadoras e reconhecer a complexidade dos processos históricos e sociais contemporâneos
A resistência a um invasor alimenta-se de símbolos compartilhados, de um fundo comum que afirma uma identidade ao mesmo tempo que constrói uma lenda ao longo dos acontecimentos. A mobilização patriótica na Ucrânia provém das fontes mais heterogêneas. Entre elas, um hino cantado por combatentes ucranianos que atuavam no Exército austro-húngaro em 1914 obtém um sucesso inesperado
Se existe um processo de desglobalização em curso, a atuação dos países centrais desenvolvidos nesse movimento cumpriu papel essencial, seja buscando restringir e isolar polos emergentes, seja revertendo de maneira geral princípios antes defendidos, como a livre circulação de capitais e pessoas e o papel das instituições na governança global
O discurso recorrente já assimilado pelo povo é de que o Estado de Israel está “cercado de inimigos por todos os lados os quais ardorosamente almejam a sua destruição e que sem o uso da força é impossível mantê-lo no decorrer do tempo”, é a ideologia da militarização que se estende pela educação e todas as esferas da vida.
No fundo, o dilema habitual dos nacionalistas é bem esse: quando rompem com povos geográfica e culturalmente próximos, conquistam uma “independência” cujo preço é quase sempre a subordinação a potências longínquas e desdenhosas.
Em tempos passados, toda a esquerda compreendia como progressivas as reivindicações de um programa nacional nos países periféricos que sofrem a opressão imperialista. Mas não nos países centrais que dominam o mundo, porque, nestes, o nacionalismo equivalia – e continua sendo indivisível dela – à defesa de um imperialismo contra outro
Bolsonaro não inova ao invocar nação e Deus, colocando ambos na arena política junto de seu nome. Sabe que com isso os conceitos totalizantes tornam-se ao mesmo tempo excludentes. Quem ataca Bolsonaro é inimigo “da pátria”, logo de Deus
Já existe o desenvolvimento institucional de um movimento de ideário fascista na política brasileira
Qual é a identidade nacional húngara? Com base em uma leitura particular da história, os dois grandes partidos da direita a definem cada um ao seu modo. Seus programas políticos e sociais inspiram-se nela para propor um conjunto de valores, ao qual uma “contracultura” – de shows de rock a exibições equestres – ofereceEvelyne Pieiller
Após vencer as eleições de 2015, o partido conservador polonês Lei e Justiça (PiS) multiplica manifestações de autoritarismo. Enquanto isso, a Comissão Europeia lançou um “procedimento de salvaguarda do estado de direito”. Maltratados por 25 anos de ultraliberalismo, eleitores do PiS parecem seduzidos por promessasCédric Gouverneur
Suspeitos de terem comido carne de vaca, diversos muçulmanos foram espancados até a morte no ano passado na Índia. Os assassinos se valem de um contexto no qual, sob a pressão nacionalista, as leis que proíbem o comércio de bovinos são aplicadas cada vez mais severamenteNaïke Desquesnes
Enquanto na Espanha a exasperação provocada pelas escolhas econômicas impostas pela União Européia impulsionam novas formações políticas para o centro da cena, na França, é a Frente Nacional que tira partido do descontentamento popular. Suas ideias inspiram cada vez mais quase todos seus adversários.Serge Halimi