As universidades públicas reféns do clientelismo parlamentar
Dados parecem indicar um menor interesse dos parlamentares pela ciência em si, uma vez que as universidades oferecem maior alcance, sobretudo por meio de projetos de extensão

Dados parecem indicar um menor interesse dos parlamentares pela ciência em si, uma vez que as universidades oferecem maior alcance, sobretudo por meio de projetos de extensão
O financiamento do ensino público superior brasileiro está cada vez mais diante de um paradoxo: emendas parlamentares como solução às restrições orçamentárias, cada vez mais latentes, e sua limitação para expansão e crescimento autônomo das universidades
O Regime Fiscal Sustentável do governo Lula 3 mantém a ordem de grandeza dos recursos discricionários no mesmo patamar médio da guerra cultural do governo Bolsonaro. Em 2024, com o pequeno acréscimo advindo da greve, o orçamento discricionário é de R$ 6,38 bilhões, muito inferior aos R$ 14 bilhões de 2014
Sob dominância financeira, as instituições de ensino superior privado-mercantis têm seus modos de organização e funcionamento radicalmente transformados ao serem convertidas em grandes grupos econômicos controlados por fundos de investimentos e, em muitos casos, com ações negociadas na Bolsa de Valores
Nos últimos trinta anos houve uma expansão sem precedentes do ensino superior brasileiro. Esse crescimento veio acompanhado de novos desafios, que evidenciam problemas estruturais no sistema educacional que ultrapassam os muros das universidades
É preciso mudar drasticamente a mentalidade universitária, a ponto de incidir em novas ações políticas que combatam em seu interior as formas de reprodução das gestões oligárquicas de poder, o produtivismo academicista estéril e um estado de letargia geral entre a categoria docente no que tange à luta por seus direitos
Quando o Governo Federal ataca a educação, está atacando o próprio Estado brasileiro que está perdendo os seus investimentos no potencial presente e futuro de um país que necessita de mão de obra qualificada e atualizada
A proposta parlamentar de extinção da UERJ é uma agressão à universidade brasileira como emblema de erudição, lugar de contradito e valor civilizatório
A transformação das universidades públicas norte-americanas em mais uma modalidade de negócios foi um “grande erro”, afirma professor da Universidade da Califórnia com livro sobre o tema
A imaginação tem uma função política porque ela nos permite a orientação entre passado e futuro, entre o próximo e o distante. A imaginação tem isto de especial, ela é livre, e portanto não está sujeita, de modo impositivo, às regras do bom senso, e nem mesmo, talvez, às regras da lógica.
Estamos diante de um governo que não está preocupado em solucionar problemáticas recorrentes; estamos vendo um descaso com as universidades, com enormes cortes que podem paralisar o ensino, como já anunciado por instituições como a UFT, que prevê a ausência de água e energia nos próximos meses, nos campi de todo o estado. As manifestações continuarão. Resistiremos, como os povos indígenas de todo o país, desde a invasão dos europeus.
Universidade implica universalidade e isso tem significados tão plurais quanto o próprio conceito. É justamente em função da universalidade que não se pode admitir proposições como a da “escola sem partido”, pois a universidade é o espaço do contraditório e do pensamento crítico e qualquer raciocínio crítico percebe que o conhecimento, a ciência e a tecnologia, a inovação não são neutras