‘O desabamento’ reflete sobre o ciclo da violência doméstica para jamais repetir
Livro francês O desabamento elucida a relação conturbada de irmãos diante a morte, o vício e fugas

Livro francês O desabamento elucida a relação conturbada de irmãos diante a morte, o vício e fugas
O número estimado de casos de estupro no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto. Desse número, apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia e 4,2% são identificados pelo sistema de saúde
A violência contra a mulher é, na grande maioria dos casos, também a violência contra uma mãe, um círculo que afeta diretamente a vida dos filhos e indiretamente a de toda a sociedade
Segundo dados da pesquisa “Coronavírus nas favelas: a desigualdade e o racismo sem máscaras”, elaborada pelo coletivo Movimentos: Drogas, Juventude e Favela pessoas sem escolaridade têm taxa de mortalidade por Covid-19 três vezes maior (71,3%) em relação às pessoas com ensino superior (22,5%); pretos e pardos sem escolaridade morrem até quatro vezes mais.
Se a piora das condições de vida causada pela pandemia talvez seja o principal propulsor do aumento das agressões cujos autores são homens e as vítimas são mulheres, torna-se essencial observar com mais atenção as dinâmicas e desafios das masculinidades – termo usado para distinguir as diversas formas de praticar o gênero masculino – no Brasil da atualidade
Em 2008, o Subsídio a Pais Solteiros passou a integrar o serviço de Renda de Solidariedade Ativa na França. Desde então, a administração pressiona mulheres que criam seus filhos sozinhas a entrar para o mercado de trabalho. Enquanto o número de empregos assistidos diminui, as subsidiadas sofrem uma pressão à qual não conseguem resistir, sem a liberação da obrigação de serem “boas mães”
As circunstâncias atuais impostas pela pandemia têm colocado as mulheres à mercê de seu agressor
A estratégia de confinamento orientada pelas autoridades sanitárias vem criando condições de aumento exponencial da violência doméstica, conforme já constatado por registros na China e no estado do Rio de Janeiro. As ligações para o Disque 180 aumentaram em 9% e, na Baixada Santista (SP), a procura ao abrigo para mulheres em situação de violência triplicou.
A discriminação contra a mulher é um fator que, na maior parte das vezes, está presente e fundamenta a violência sofrida. Coloca a mulher em situação de inferioridade e de subordinação, limitando sua autonomia, seu poder de escolha e de decisão, bem como o seu reconhecimento como pessoa dotada de direitos e de igual dignidade em relação ao homem.