Matar e deixar que se matem
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.

No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
De acordo com Azevedo, os índios são inseridos no mundo moderno ao substituírem suas bebidas tradicionais, sua embriaguez cerimonial, pela cachaça que servia de instrumento para convencê-los a suportar o trabalho escravo.
Entender as condições deploráveis dos trabalhadores durante a consolidação do capitalismo industrial tem um efeito pedagógico, pois torna inteligível o histórico de lutas que existe por trás da conquista dos direitos trabalhistas, até então extremamente restritos – quando não inexistentes.
Alguma vez já passou pela sua cabeça chamar Pablo Picasso de “Pablinho” Picasso? Ou chamar Pollock de “Jacksonzinho”? Jamais, acredito. Infelizmente não é o caso de outro artista brasileiro do pré-abolição, Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra. Com um nome tão bonito e pomposo, ficou conhecido como Miguelzinho Dutra, assim como Antônio Lisboa virou “Aleijadinho”.
Desde o referendo de 24 de junho de 2016, que aprovou pela saída do Reino Unido da União Europeia, a situação permanece indefinida, tendo ocorrido dezenas de rodadas de negociações em Bruxelas na preparação de um projeto de desligamento de alguns setores e reorganização de outros nas relações entre o bloco europeu e o país. Portanto, não há consenso, nem mesmo entre as elites políticas.
Os governos do Reino Unido e dos EUA estão usando o tratamento horrendo de whistleblowers como Chelsea Manning e editores como Julian Assange, como exemplo. O tratamento de Julian Assange é um dos casos mais extremos disso. Independentemente de suas opiniões pessoais sobre as decisões dele como editor, é preciso entender que esse caso é simbólico de até que ponto o Estado irá para esmagar a dissidência. A saúde e o bem-estar do fundador do WikiLeaks estão sendo destruídos, descaradamente e à vista do público, por ousar revelar a verdade sobre o governo dos EUA e seus inúmeros crimes de guerra no Iraque, Afeganistão e em todo o mundo. É responsabilidade de jornalistas, e das pessoas que se preocupam com a verdade e que expõem os abusos do poder estatal e corporativo, defender Assange e qualquer pessoa que coloque suas vidas e liberdade em risco. Se já houve um tempo para falar a verdade ao poder, é agora.
A polícia – criada na ditadura militar brasileira – nos dias de hoje, tem o poder violento e covarde de torturar e matar, de transformar qualquer indivíduo em “Amarildo”, em sujeito invisível, exercendo o sub-humanismo nas favelas, guetos e periferias. E isso ocorre a despeito da hodierna democracia. Do pós-guerra até os dias atuais, nunca foi proporcionada uma sensação tão intensa de liberdade conectada, ao mesmo tempo, ao poder onipresente da vigilância estatal. Aliás, até aqui, nossa história parece ser a autorealização de um Estado, o qual, ao longo do tempo, agigantou-se quanto a sua vigilância e violência. A KGB, o FBI, a ABIN e a MOSSAD não nos deixa mentir e, coincidentemente, de maneira proporcional, se propagou uma anoréxica liberdade.
O surrealismo político da “nova era” dispensa as caricaturas: a sua mera reprodução cênica é a provocação em si mesma. No centro do palco, um demagogo anuncia cortes e ataques a direitos, absurdos ditos sob gritos de “Mito!”. Outra personagem, Tristeza Cristina, distribui veneno por todos os cantos. Agroboys armados desfilam ao som de sertanejo. Índios se opõem. Ao mesmo tempo, um rapaz com uma câmera enquadra as cenas por ângulos em movimento, tudo é projetado no fundo do palco — cinema, teatro e realidade numa só linguagem.
Os ataques do governo ao sistema público de pesquisa e ensino, tal como ao jornalismo independente, são uma guerra cultural. A metáfora da guerra não tem aqui caráter bélico. Quer chamar a atenção para o fato de se tratar de um ataque sistemático, que tem uma dimensão estratégica e objetivos realmente destrutivos. Sua dimensão estratégica compreende o enquadramento, a ameaça e os inimigos, mas também uma oferta de soluções simples para problemas complexos, que as universidades, ao contrário, enfrentam justamente em sua complexidade.
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
No contexto brasileiro, esta questão é latente no próprio ensino da filosofia no Brasil que historicamente negou ou invisibilizou os conhecimentos relacionados à intelectualidade africana, ignorando a intrínseca relação entre Brasil e África por meio de grande da parte da sua população. Por isso é tão significativo e necessário um momento como este, dentro de uma das maiores associações de filosofia da América Latina, de discutir o tema da filosofia africana e sua relevância no ensino brasileiro.