Pelas barbas da Utopia: soluções marketeiras de última hora
A palavra “revolução” sempre carregou uma força singular na imaginação política e social

A palavra “revolução” sempre carregou uma força singular na imaginação política e social
“Por que o Irã ainda não se rendeu?”, perguntava o presidente norte-americano, Donald Trump, em 20 de fevereiro. Enquanto o regime teocrático não dá mostras de que deve ceder, a repressão conduzida em janeiro passado contra sua população demonstra, mais uma vez, seu fracasso. Embora Washington não tenha renunciado ao uso da força, elites da classe média iraniana aguardam sua hora
Os sistemas de proteção social colocados em prática por muitos países após a Segunda Guerra Mundial concebiam a saúde como condição necessária ao bem-estar. Oito décadas depois, ela surge nos discursos públicos e na mídia apenas como uma “despesa” contábil. Nesse meio-tempo, a questão foi cenário de uma disputa silenciosa nas instituições internacionais
Desde dezembro de 2025, as manifestações no Irã reacenderam o debate sobre a legitimidade do regime xiita e os rumos políticos do país. No entanto, mais do que um episódio de contestação doméstica, até onde podemos interpretar tal crise enquanto um laboratório da guerra híbrida no Oriente Médio?
Uma repressão brutal assola os iranianos desde 8 de janeiro. A licença dada às forças de segurança sugere que as autoridades estão acuadas, conscientes de que lutam pela própria sobrevivência. Após o esgotamento do aparelho ideológico islamista, o cimento nacionalista se desfaz e o crescimento das desigualdades e a negação das aspirações da população favorecem as ingerências externas
Se é relativamente fácil, para o governo de um Estado poderoso, perpetrar massacres em massa, é mais difícil assumir publicamente a responsabilidade por um genocídio. É preciso, dessa forma, minimizar, ocultar, reescrever a história. O caso do genocídio dos armênios (1915-1916), ainda contestado pelo poder turco, revela as lógicas e os métodos dessa negação
A derrota é sempre culpa dos outros: dos pacifistas ou da quinta coluna, daqueles que não entregaram armas suficientes, não enviaram soldados suficientes, não lançaram bombas suficientes
Caracas, 03 de janeiro de 2026! Data histórica em que as veias abertas da América Latina voltaram a sangrar. O grasnido de morte voltou a ecoar pelas terras da mátria latina! O Big Stick mais pesado e mortal do que nunca, agitado por um hipócrita ancião belicoso com alma de cowboy! Que reivindica tudo a sua volta, como seu grande quintal!
As ações do novo governo Trump não deixam dúvidas sobre a intenção de atingir fortemente os pilares da ordem internacional criada no pós-guerra, em especial o multilateralismo global, representado pela ONU, e o sistema de segurança, caracterizado pela institucionalização do poder de veto das potências nucleares no Conselho de Segurança
A tomada da cidade de El-Fasher pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), em 26 de outubro, e as atrocidades que a acompanharam lembraram à mídia ocidental a existência e a intensidade da guerra civil sudanesa. Frequentemente apresentado como produto de uma rivalidade entre dois comandantes militares e suas facções, o conflito também interessa a potências estrangeiras, que buscam tirar proveito dele e, à sua maneira, alimentam a dinâmica do confronto
Inverta o seu olhar do mundo, na tradição de Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Eduardo Galeano
Nos últimos anos, os Países Baixos tornaram-se um laboratório de aproximação e aliança entre os partidos de direita, incluindo os de extrema direita. As divisões e desentendimentos, bem como as escaladas retóricas sobre imigração, custaram a essas formações uma derrota apertada nas recentes eleições legislativas. Mas não se pode excluir um rebote a curto prazo