O “evidente” na política chilena
Os acontecimentos políticos não respondem nem se encaminham para um destino predeterminado

Os acontecimentos políticos não respondem nem se encaminham para um destino predeterminado
A persistência do modelo neoliberal estabelecido por Alberto Fujimori é a chave para explicar a instabilidade política peruana. Embora a coalizão de esquerda liderada por Pedro Castillo tenha fracassado, a tentativa do atual governo de recriar uma aliança conservadora ao estilo dos anos 1990 está em xeque em razão das mobilizações sociais sem precedentes que ocorrem no país desde dezembro
O principal risco para as democracias latino-americanas é a concentração de poder que leva ao enfraquecimento das eleições como mecanismo competitivo para escolher representantes. Embora as causas sejam múltiplas, duas se destacam: atores desleais e a falta de inserção social dos partidos políticos
As democracias latino-americanas encontram-se ameaçadas pela insatisfação social, pela intervenção militar dissimulada e pela sua deterioração
No Chile, diante do cenário de aparente derrota, um dos caminhos possíveis é resgatar a esperança como questão antropológica, ético-política e cidadã
A destituição de Pedro Castillo abriu um novo capítulo na crise política peruana. A fragmentação do sistema partidário e o comportamento antidemocrático da oposição somaram-se à inexperiência do presidente. Nada indica que a convocação de novas eleições devolverá a estabilidade perdida há uma década
Queríamos que a Constituição garantisse os direitos de todos e todas e, coletivamente, escrevemos uma carta pioneira para o Chile
Se há um campo em que a chegada da esquerda ao poder é um divisor de águas na América Latina é a política externa. Enquanto diversos líderes pedem a retomada do processo de integração regional, as capitais que se deslocaram para a esquerda não hesitam em expor suas divergências com Washington. Em particular no “caso Assange”
Os economistas concordam que certos níveis de inflação podem ser tratados com programas gradualistas, mas que a inflação persistentemente alta requer um plano de choque. O problema é que sua realização demanda um forte poder disciplinador do Estado ou um consenso político, condições que não se veem atualmente
Tendo descartado um plano de estabilização pelos motivos mencionados, o ministro da Economia argentino Sergio Massa segue o gradualismo de cobrir buraco após buraco
Impedir as revoltas violentas contra o governo e, em última análise, contra a democracia não é tarefa apenas de quem está no La Moneda, é também dos movimentos sociais
O principal dever político neste momento, inevitável na busca da nova Constituição, consiste em resistir à tendência de confundir as próprias convicções ideológicas com uma condição de superioridade moral