A cultura sobrevive!
Em seu difícil cotidiano como produtores culturais, artistas buscam programas de incentivo, novas formas de qualificação, valorização e reconhecimento de seu trabalho

Em seu difícil cotidiano como produtores culturais, artistas buscam programas de incentivo, novas formas de qualificação, valorização e reconhecimento de seu trabalho
Um pequeno quadro atribuído a Leonardo da Vinci vendido por 385 milhões de euros em novembro; As mulheres de Alger, de Pablo Picasso, negociado por 160 milhões de euros: especuladores invadiram o domínio da arte. Longe dos projetores, milhares de obras “ordinárias” são vendidas por ano. É um mercado que obedece a regras bastante particulares
Enquanto o falso-moralismo mobiliza a opinião pública, a PEC 181 que proíbe interrupção da gravidez mesmo em casos de estupro é aprovada, deputados pedem a condução coercitiva de um artista e a filósofa estadunidense, Judith Butler, é agredida em um aeroporto: é a violência fascista acusando as artes e o pensamento crítico de serem cruéis
Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, o paulistano do Grajaú fala sobre música, política e tempo: “ Eu só sei que quando dá a febre, pulsa tudo, e a gente tem que expressar”.
Quem são e como atuam os novos coletivos que estão enfrentando a conjuntura de crise que afeta o Brasil nos últimos anos, organizando a população das periferias e questionando os vícios das estruturas tradicionais da esquerda
Em setembro, a cena cultural brasileira viu ressurgir a face tenebrosa da censura. Diante de expressões artísticas que criticam o patriarcado, uma instituição ligada a um banco e homens em posição de poder reagiram em defesa de supostas moral e família
O imaginário recorrido atualmente pelo MBL é o das “guerras culturais” e da luta contra o “marxismo cultural”. A semente desta segunda ideia vem sendo plantada há muitos anos pela direita brasileira, tendo Olavo de Carvalho seu principal formulador. Gabriel de Barcelos
Quem são e como atuam os novos coletivos que estão enfrentando a conjuntura de crise que afeta o Brasil nos últimos anos, organizando a população das periferias e questionando os vícios das estruturas tradicionais da esquerda. Confira a seguir entrevista com Raull Santiago, do Coletivo Papo Reto, composto por jovens moradores dos complexos do Alemão e Penha
Existe racismo na América Latina. Ele atinge com mais frequência os negros, assim como imigrantes bolivianos, peruanos e colombianos. As comunidades árabes, contudo, raramente sofrem com os estigmas que frequentemente lhes são impostos na Europa. Para explicar o fenômeno é preciso analisar como foi a chegada dessas pessoas à região e a posição social que ocupam
A liberdade chegou a um nível jamais atingido, mas não sabemos o que fazer com ela. Uns até a condenam. Ronda o ódio à democracia. Por que não reivindicar uma democracia mais real? O que vemos são pessoas reclamando de ela ser real demais. Ledo engano. O que não podemos é defender uma democracia disforme, que se desdobra para atender aos interesses capitalistas – a que Hollywood reproduz com excessiva confusão de efeitos especiais e cenas românticas
Marginalizado, o funk enfrenta o conservadorismo ao quebrar valores morais de classes dominantes. A criminalização do ritmo visa enquadrá-lo em crime de saúde pública. A música de origem periférica não foi a única que se rebelou contra classes dominantes na história brasileira
Há tempos vilipendiada, a arte de rua conquistou ares de nobreza. Em agosto, o departamento de Seine-Saint-Denis, na região parisiense, organizou uma visita guiada aos mais belos grafites locais. O reconhecimento às vezes conduziu os artistas de rua a abandonar qualquer traço de contestaçãoPhilippe Pataud Célérier