O TJMG e a anatomia de um Judiciário branco e masculino
Os dados não deixam margem para ingenuidade. O Judiciário brasileiro é estruturalmente homogêneo, socialmente concentrado e racialmente excludente

Os dados não deixam margem para ingenuidade. O Judiciário brasileiro é estruturalmente homogêneo, socialmente concentrado e racialmente excludente
Populações latino-americanas passam a ser simultaneamente tratadas como mercado consumidor e como ameaça interna, enquanto a valorização cultural convive com xenofobia, deportações e criminalização de migrantes, independentemente do governo dos Estados Unidos
A ausência de pessoas indígenas e negras nos debates públicos, nas instituições e no STF reforça a ideia e o estereótipo do homem branco, único “capaz” de estar à frente das instituições, de levar o fardo do Brasil nas costas. E o que isso tem a ver com o Supremo Tribunal Federal e a mais nova nomeação do presidente Lula, a terceira, para o maior cargo da Justiça brasileira? Tudo
O que torna um povo amadurecido não são as guerras, o extermínio de outros povos e culturas, mas a capacidade de se reinventar com as mortes
O que o público da exposição em Paris, o documentário e o dentista têm em comum? A indiferença. Pessoas brancas, sobretudo economicamente privilegiadas, para estarem neste lugar, criaram uma distância emocional e cognitiva dos problemas raciais
O pacto narcísico da branquitude não apenas fomenta e reproduz o racismo, como o faz em nome da imagem das pessoas brancas que ainda selecionam nas instituições aqueles que serão silenciados e os que podem vociferar boas intenções
No Haiti, a aspiração de alcançar a europeidade ou ocidentalidade sem a branquitude obstruiu a restauração do equilíbrio perfeito da colonialidade. O equilíbrio da colonialidade não se completa por não poder restabelecer a autoridade nacional do branco. Então, o branco faz tudo que está ao seu alcance para exercer essa autoridade a nível internacional. Leia no artigo final da série Haiti em foco
O ponto central, portanto, é político. Por que evitamos dizer “negro”? Por que tantas pessoas negras, com traços negroides, se dizem morenas? E por que tantas pessoas brancas, mas que não se reconhecem como parte da branquitude, também preferem o termo “moreno”? O que se esconde por trás dessa escolha aparentemente inofensiva?
Não se pode entender o pacto de autopreservação racial, de manutenção de privilégios da branquitude e de aprofundamento de desigualdades, evidenciado na defesa veemente de Porchat a um espetáculo criminoso de seu par, sem antes compreender o dispositivo de poder denominado branquitude
Olhar para grupos anticotas é encarar um espelho incapaz de reconhecer as relações de dominação que fundaram este país e o mantém preso a um passado que não passou. Os anticotas são antinegros. Abominam a ideia de desracializar espaços de poder
Se desconhecemos ou escolhemos ignorar aspectos de nosso passado, não podemos nos reconhecer no presente e não podemos planejar um futuro que não seja excludente. E não é preciso ser branco para crer nas lógicas de uma história branca
A história da minha educação para o racismo me diz que fui racializada como branca para ser racista.