Gastança parlamentar
A tradicional concentração de poder e riqueza das classes dominantes no Brasil, um dos países mais desiguais do planeta, é uma construção histórica que gerou as instituições e regras que organizam ainda hoje nossa sociedade

A tradicional concentração de poder e riqueza das classes dominantes no Brasil, um dos países mais desiguais do planeta, é uma construção histórica que gerou as instituições e regras que organizam ainda hoje nossa sociedade
Não dá para saber ainda qual será a solução da aliança Centrão-bolsonarismo para as eleições presidenciais nem se Tarcísio seria esse candidato
O objetivo fundamental do Centrão é, e sempre foi, o poder. Entenda-se por poder como cargos no Poder Executivo federal, recursos do orçamento, benefícios governamentais e tudo isso em troca de votos. O Centrão tem sede de poder financeiro, não importa o regime, não importa qual seja o partido que esteja na cadeira presidencial
O Centrão praticamente manteve o tamanho, mas sua composição interna se alterou com o fortalecimento do partido de Bolsonaro. Quase todos os outros partidos do grupo sofreram perdas. Porém, não podemos esquecer que a configuração do grupo depende da relação entre Legislativo e Executivo, seja este comandado por Lula, seja por Bolsonaro
A debandada do União Brasil, assim como a movimentação “para o lado” de partidos do Centrão, reforça a base do presidente Bolsonaro
O objetivo deste artigo é desvendar o Centrão, descrevendo suas características e trajetória, desde seu surgimento na Constituinte até o ingresso no governo Bolsonaro. Seu apogeu aconteceu e acontece nos mandatos de José Sarney, Michel Temer e Jair Bolsonaro
Como o Centrão se comporta nas votações da Câmara? Ele apoia o governo mais do que o conjunto da Casa? Isso mudou (e como) ao longo da legislatura? Qual é o sucesso efetivo do presidente na aprovação de sua agenda e qual é o desempenho dos projetos de parlamentares do Centrão relativamente ao conjunto dos deputados? Qual é a agenda priorizada pela Câmara e aquela emplacada pelo Centrão?
Bolsonaro sabe que encher o parlamento de aliados do Centrão serve aos seus propósitos. Atentos, calculadora às mãos, Lira e o Partido Progressistas fazem as suas contas. Tudo somado, é a democracia que amarga o prejuízo
É preciso que os brasileiros entendam quem ganha com toda esta experiência distópica. Em uma ponta, vence o fisiologismo político, encarnado na figura do “Centrão”, que cobra caro para manter uma aberração como Bolsonaro no poder
A reforma da previdência, e sua vitória no plenário da Câmara, não foi resultado da capacidade de articulação política do governo. Foi uma vitória de um outro polo de poder que surge com força no parlamento: uma centro-direita comandada por um astuto político liberal (Rodrigo Maia) que ao tomar para si – e de forma corajosa – a “defesa da política” conseguiu aglutinar em torno de si o chamado “centrão”. Novo artigo do Observatório da Economia Contemporânea.