O que o desenvolvimento brasileiro escolhe não enxergar
O território não é apenas o lugar em que as políticas acontecem; ele também revela como seus efeitos são distribuídos

O território não é apenas o lugar em que as políticas acontecem; ele também revela como seus efeitos são distribuídos
Em um território organizado pela lógica da propriedade privada e do lucro, os melhores terrenos são destinados a quem pode pagar. O espaço público gratuito acaba ficando com o que resta
A desigualdade territorial tem dois efeitos: isola do restante da cidade e nega o direito de viver bem no próprio bairro
A lógica do condomínio (e do carro também) azeda as relações sociais e a possibilidade de um projeto político maior de coletividade. É perversa na escala urbana e regional, por corromper o espaço público e coletivo. É opressora no espaço privado, por controlar e domesticar o outro. É a lógica perfeita para dar vazão aos interesses corporativos e conservadores, com franca expansão do neopentecostalismo, mesmo que seu condomínio tenha pinta de moderninho
E quando a conta não fecha no fim do mês, quais são os caminhos possíveis para fazer renda extra?
O paradoxo entre a legislação urbanística avançada do Brasil e a persistência das desigualdades socioespaciais nas cidades
Sítios arqueológicos em obras de metrô podem ajudar a refazer a nossa rota histórica, na Grécia ou no Brasil: no bairro paulistano do Bixiga, movimento que luta pelo legado do Quilombo do Saracura faz quatro anos
A oferta de espaços públicos em boas condições de uso para a população é obrigação do poder público, que deve garantir o acesso, a inclusão e a sustentabilidade das áreas verdes públicas na cidade de São Paulo
Quando vestígios de uma cidade antiga – testemunha maravilhosa dos impérios dos quais foi uma das grandes encruzilhadas – são devastados pela guerra, pensa-se que, com a paz restabelecida, a reconstrução vai se impor. No entanto, seria necessário apagar a história? Quem fica encarregado da restauração? Que lugar será dado aos vivos da moderna cidade vizinha da antiga Palmira?
A suspeita de uma forte associação entre a ampliação dos ganhos dos investidores e a precarização dos serviços urbanos nos levou a investigar as transformações na economia política das infraestruturas urbanas e suas especificidades resultantes de uma trajetória particular de entrelaçamento entre privatização e financeirização
A arquitetura contemporânea, especialmente aquela alçada à condição de ícone global, raramente se limita à função de abrigar usos: ela comunica, disputa sentidos, reorganiza fluxos urbanos e produz imagens que circulam muito além do lugar onde se insere. Entre a obra construída e a experiência vivida, estabelece-se um campo de tensões que envolve estética, mercado, turismo, poder e cidade
Os escândalos da política urbana brasileira não são novos, mas têm ganhado novos contornos com estratégias de comunicação e articulação, sobretudo quando atravessam conselhos participativos e deliberativos. Na esfera dos órgãos de preservação do patrimônio, cabe perguntar: como defender o patrimônio cultural diante de uma elite que odeia o próprio país?