A prova de fogo da ética no Kosovo
Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…

Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…
Ataques “inteligentes” contra o terrorismo “sem fronteiras”, mísseis contra bombas humanas, tanques de assalto contra carros-bomba, política do poder contra estratégia de desgaste: a paz, tanto no Iraque como no Afeganistão, não se ganha no campo de batalha…
O exame dos dados referentes às vítimas da guerra em 1991 mostra que as “leis da guerra” não levaram em conta as mudanças na tecnologia militar. A regra da “proporcionalidade” exige que, para proteger os civis, as operações militares tenham o cuidado de poupar a população e os alvos civis
No início de 2011, a ONU autorizou duas vezes o recurso à força: na Líbia e na Costa do Marfim. Essas decisões excepcionais baseiam-se no reconhecimento recente do “dever dos Estados de proteger as populações civis”. Seriam sintomas da validação de um “direito de ingerência” de geometria variável?
Desafiados em seu próprio território, os Estados Unidos do presidente George W. Bush, concentrados em sua luta contra o “Eixo do Mal”, renunciam ao direito internacional. Com todas as consequências implícitas…
O “genocídio” dos albaneses no Kosovo, que se fingiu tentar impedir a qualquer custo, seria um genocídio de fato ou a tentativa dos Estados Unidos, via Otan, de impor sua dominação sobre os Bálcãs? Daí a recusa obstinada dos aliados de qualquer solução diplomática
A Organização das Nações Unidas, que fracassou em diversas situações, não se tornou um instrumento incontestável de segurança coletiva. Mas continua sendo um insubstituível escudo multilateral, que poderá no futuro contribuir para reforçar uma ordem internacional aceita por todos
O argumento da
Em 17 de março de 2011, o Conselho de Segurança da ONU deu o aval para uma ação militar contra o regime de Muamar Kadafi. Esse cheque em branco jurídico, que não tinha sido obtido nem na guerra do Kosovo nem na do Iraque, não levantou todas as questões relativas à incoerência moral do jogo das potências
Quem decide sobre a legitimidade de uma guerra? É preciso prevenir todos os conflitos? Como parar a engrenagem da violência? O fim do enfrentamento Leste-Oeste obrigou a repensar o sistema de segurança coletiva defendido pelas Nações Unidas
Do Kosovo ao Afeganistão, as populações foram vítimas e pretextos para intervenções. Quanto às organizações não governamentais, elas foram instrumentalizadas ao longo de guerras que qualificamos sem hesitação de “morais”…
O paradoxo está no coração do sistema: os fluxos devem circular livremente para irrigar entidades complexas em seus diversos ramos e permitir a realização de operações sutis. Como as informações serão trocadas daqui para frente?