A década de 1980: a torturante função da educação (II)
O que vai mudando daquilo que deveria permanecer; o que permanece daquilo que deveria mudar. Confira aqui a primeira parte deste artigo

O que vai mudando daquilo que deveria permanecer; o que permanece daquilo que deveria mudar. Confira aqui a primeira parte deste artigo
Estamos diante de um governo que não está preocupado em solucionar problemáticas recorrentes; estamos vendo um descaso com as universidades, com enormes cortes que podem paralisar o ensino, como já anunciado por instituições como a UFT, que prevê a ausência de água e energia nos próximos meses, nos campi de todo o estado. As manifestações continuarão. Resistiremos, como os povos indígenas de todo o país, desde a invasão dos europeus.
O corte nas verbas da educação levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas no dia 15 de maio. O governo não se sensibilizou com as mobilizações e o presidente classificou os manifestantes de “idiotas úteis”. Nesse mesmo dia, como uma retaliação às amplas manifestações por todo o Brasil, Bolsonaro assinou um decreto presidencial retirando a autonomia das universidades a partir de 25 de julho. É um decreto inconstitucional. É uma provocação.
O que está sendo feito neste país através de fórmulas obscurantistas como “escola sem partido” e de ameaças às ciências, seja através de bloqueios orçamentários que atingem as universidades públicas no seu conjunto, seja através de ataques às ciências humanas, notoriamente à Sociologia e à Filosofia?
Além de confundir a população com o argumento de que as humanidades seriam um mero reduto de “doutrinação marxista”, o governo Bolsonaro lançou mão do falso argumento de que seria preciso “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte”, como veterinária, engenharia e medicina.
Os cultuadores da violência e da ignorância desejam destruir tudo aquilo que não podem controlar. Mas a filosofia e seus pensadores e pensadoras resistem desde a Grécia.
Começamos muito mal. Muito. Muito. O básico é deixado de lado, o necessário é deixado de lado
Estamos muito distantes de uma efetiva democratização dos processos educativos, mas não podemos ser irresponsáveis e afirmar que não existe democracia nas escolas.
A presença nas rotatórias tomadas pelos “coletes amarelos” de uma forte proporção de mulheres chamou a atenção dos observadores. Essas trabalhadoras fazem girar as engrenagens dos serviços essenciais: saúde e educação. Para além do levante deste outono, elas representam o poder ignorado dos movimentos sociais
Os anos 1970 demarcaram a consolidação de uma geração educada no vazio político, com um silêncio ensurdecedor e gritos contestáveis nos porões da ditadura. Confira aqui a continuação deste artigo
Universidade implica universalidade e isso tem significados tão plurais quanto o próprio conceito. É justamente em função da universalidade que não se pode admitir proposições como a da “escola sem partido”, pois a universidade é o espaço do contraditório e do pensamento crítico e qualquer raciocínio crítico percebe que o conhecimento, a ciência e a tecnologia, a inovação não são neutras
Quanto à vida nas cidades, que abrigam mais de 85% dos brasileiros, ela vem melhorando ano após ano. O direito à cidade, direito de acessar bens e serviços públicos e usufruir deles, se amplia em razão da participação das cidadãs e cidadãos nas decisões sobre as políticas públicas.