Radicalismo de fachada
Ao enfrentar pela primeira vez a oposição, o presidente Robert Mugabe joga pesado para conservar o poder, atacando alguns milhares de fazendeiros brancos. Mas essa estratégia pode desestabilizar o paísChristophe Wargny

Ao enfrentar pela primeira vez a oposição, o presidente Robert Mugabe joga pesado para conservar o poder, atacando alguns milhares de fazendeiros brancos. Mas essa estratégia pode desestabilizar o paísChristophe Wargny
“A guerra terminou”, declarou o presidente Alassane Ouattara no momento da prisão de Laurent Gbagbo, no dia 11 de abril. Se o futuro da ainda dividida Costa do Marfim permanece incerto, o conflito aberto pela eleição também se desenvolve na mídia local, com os dois se enfrentando via imprensa e agências de comunicaçãoVladimir Cagnolari
A próxima campanha deverá obedecer a um “script” rigoroso, que prescreve unicamente a possibilidade de discussões técnicas entre os candidatos. Desse modo, os verdadeiros problemas do país e suas respectivas soluções não virão à tona no processo eleitoral, a fim de não fornecer combustível para a oposição de esquerda
Após a retirada do presidente Manuel Zelaya do poder, uma nova eleição foi realizada em novembro com o intuito de resolver a situação. Porém, na véspera da votação, o balanço da repressão chegava a 30 mortes, 4.200 prisões e um número incalculável de feridos. Desde então, dezenas de militantes teriam sido assassinados
Com rédeas curtas na área econômica, a atual gestão conseguiu limitar os danos provocados pela crise global. No entanto, não soube resolver os principais problemas sociais, resultantes de impasses estruturais da sociedade chilena, e abriu caminho para um provável retorno do conservadorismo
Depois da vitória histórica do Partido Democrata nas eleições legislativas de agosto passado, o novo primeiro-ministro Hatoyama Yukio já deu indícios de como será seu governo: nomeou uma equipe contrária à privatização do serviço postal japonês, símbolo das reformas da antiga administração liberal
No cenário mais provável das eleições convocadas para o próximo 25 de outubro, cerca de 30 mil uruguaios pouco ou nada interessados por política concentrarão um injusto poder de decisão. Deles dependerá a vitória, em primeiro turno, de José Mujica, o ex-tupamaro que faz promessas de mudanças sociais profundas
Com o fim do mandato de Koichiro Matsuura, uma eleição indicará o novo diretor geral do órgão. Durante dez anos no cargo, ele empenhou-se em sujeitar a organização à autoridade do Japão e em implementar reformas que atendessem aos interesses dos americanos, demitindo funcionários para “reduzir despesas”
Na campanha eleitoral, Jacob Zuma soube aproveitar-se da cultura local, assumindo o papel do perseguido por um poder maléfico, personificado em seu adversário, o presidente Thabo Mbeki. As simpatias populares aumentaram quando ele se dispôs a representar e defender os interesses dos rejeitados e desempregados
A vitória histórica de Barack Obama traz em seu interior as sementes para um realinhamento básico da política americana. Ela é também produto de uma tendência de longo prazo favorável à emergência de uma maioria democrata que poderá dominar a cena dos Estados Unidos pelo próximo quarto de século
O problema mais sério não está nos programas de governo, ou na falta de identidade política dos partidos. Está na estrutura do poder e na falta de controle social sobre os eleitos.
A influência eleitoral dos meios de comunicação está cada vez mais limitada no país. Conforme a democracia se consolida, a população passa a definir seu candidato com base em avaliações objetivas de suas condições de vida. E não há mídia poderosa ou marqueteiro genial capazes de mudar isso