Voto útil: o chamado ao primeiro turno em 2022
É preciso discernir que o voto útil não é antidemocrático ou esmagador do direito à oposição. Embora marcado pelo imediatismo, é instrumento válido e perfeitamente coerente com a democracia

É preciso discernir que o voto útil não é antidemocrático ou esmagador do direito à oposição. Embora marcado pelo imediatismo, é instrumento válido e perfeitamente coerente com a democracia
A conjuntura indica que, em que pese a possibilidade de transformações políticas a curto e médio prazo nas sociedades sul-americanas, sua estabilidade e governabilidade ainda precisam passar por uma construção pos facto que só virá com a criação de uma base de apoio sólida
Bolsonaro não é uma excepcionalidade na política brasileira. Bolsonaro é sintoma de longa duração. Ele não é a exceção, é a regra. O tenaz ponto de fuga em nossa história institucional foi a emergência de uma liderança como o Lula
A educação brasileira vive uma tragédia. O programa de Bolsonaro quase reconhece que o atual presidente foi o pior da história recente no quesito educação. Os programas de Lula e Ciro, juntos, seriam um programa educacional quase perfeito
A ampliação em favor de Lula pela defesa da democracia mais a rejeição contra o autoritarismo de Bolsonaro se encontram na onda de mobilização que pode decidir a eleição presidencial de 2022 no 1º turno
Com apoio das elites, Bolsonaro acelerou tendências destrutivas e incontroláveis que, no entanto, se tornaram contraproducentes ao bom funcionamento do capitalismo brasileiro
A um mês das eleições, as pautas públicas ainda são dominadas pela falta de ênfase programática. Em um debate reduzido, o que resta para as políticas públicas?
A exclusão dos únicos candidatos negros da possibilidade de divulgar as suas ideias nos debates confirma que o sistema representativo é oligárquico e racista
O PT e seu candidato decidiram por concluir um giro ao centro, calculando que essa política multiplicaria as chances de vitória, até mesmo no primeiro turno
Mas quem vai decidir a eleição são os mais pobres, a maioria do povo brasileiro. E é aí que se concentra a campanha eleitoral na qual a extrema direita assume a mentira como arma de guerra e não tem restrições em falsear a verdade e tentar destruir a reputação de seus adversários, tratados como inimigos a serem eliminados.
Diante do agravamento da crise econômico-social no Brasil, com desemprego em alta, renda média do trabalhador em queda, a retomada do crescimento econômico, com geração de emprego e renda passa, necessariamente, pelo fortalecimento das micro e pequenas empresas. Não à toa, o presidente Lula tem defendido que, caso seja eleito, será criado o Ministério das Micro e Pequenas Empresas.
Agregação de pesquisas, feita pelo Cebrap, confirma a hipótese de que, diferente da tradição histórica do Brasil, há, sim, um voto confessional. Ao contrário das eleições anteriores, a presença de Lula não desativa essas posições conservadoras. Por quê? Qual caminho o ex-presidente deve seguir?