Faixa de Gaza, no centro da questão palestina
A escalada de violência na Faixa de Gaza em março confirmou o caráter instável do status quo e o impasse da estratégia israelense

A escalada de violência na Faixa de Gaza em março confirmou o caráter instável do status quo e o impasse da estratégia israelense
Em 1948, os EUA hesitaram em reconhecer Israel. Em 2011, eles não têm dúvidas quanto a bloquear a entrada da Palestina na ONU. O veto, encorajado pela União Europeia, visa, mais uma vez, adiar a decisão e apostar em negociações bilaterais, fadadas ao fracasso dado o desprezo de Israel pelo direito internacionalAlain Gresh
Inversão singular da história. Em 1948, era a perspectiva de uma declaração de independência de Israel que preocupava os EUA. Na época, o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa e a CIA questionavam se o reconhecimento iria suscitar uma reação antiocidental nos países árabes e comprometer seus interessesIrene Gendzier
Após um longo período de imobilismo, o mundo árabe saiu da letargia. Os movimentos de contestação, que não pouparam nenhum país, afetam também os equilíbrios regionais e internacionais. E incidirão no futuro do conflito Israel-Palestina
Dividido pela França e pelo Reino Unido – as potências vitoriosas da Primeira Guerra Mundial –, o mundo árabe paga até hoje pela partilha colonial. E a lembrança desse período, especialmente a promessa de criação de um “lar nacional judeu”, ainda ronda os espíritos
Enquanto as relações com o Egito se esgarçam após a queda de Hosni Mubarak, israelenses se manifestam em massa contra as suas duras condições de vida. O movimento testemunha um despertar da sociedade, entretanto não inclui os mais desfavorecidos e ignora o destino econômico dos palestinosYael Lerer
Os fundadores da ONG israelense Rompendo o Silêncio compreenderam que seu papel não era mostrar casos extremos de crueldade e barbárie. “O soldado que maltrata um velhinho no checkpoint não nos interessa”, explica Michael Menkin. “Preferimos falar do recruta que está atrás dele, o soldado ‘normal’”Meron Rapoport
Na Cisjordânia, o filme de James Cameron foi reencenado por ativistas palestinos como crítica à ocupação israelense. Fórmula é antiga: na Europa, a população se fantasiava de povos reais (os mouros) ou imaginários (as amazonas), considerados ameaças à civilização;nos EUA, negros de Nova Orleans criavam tribos indígenasHenry Jenkins
Enquanto os olhos do mundo se voltavam para a África do Sul, a seleção feminina de futebol da Palestina desembarcou no Brasil para um intercâmbio com o Santos FC. Durante sua estada na Vila Belmiro, as garotas falaram sobre política, futebol e machismo, temas que inevitavelmente se misturam quando elas jogam bolaMaíra Kubík Mano
Há 15 anos crescendo em sucesso de público e arrecadação, a indústria cinematográfica de Israel mergulha no encalço de Amos Gitai e, contraditoriamente, conta com o apoio de um Estado cuja rigidez política não impede de patrocinar filmes muito críticos em relação ao ideal sionista
Para os militares israelenses, existem apenas duas categorias de inimigos: o soldado e o terrorista. No caso da Palestina, como nenhum exército regular está envolvido, o seu oponente só pode ser um fanático. E sob essa justificativa nega-se ao outro o direito à resistência e à legitimidade mínima de sua causa
Em Ramallah, centro político-econômico da área, predomina uma prosperidade e calma relativas: novas lojas e bares antenados acabam de ser inaugurados, para grande satisfação da intelligentsia palestina, ávida por entretenimento.