As correntes que ainda aprisionam milhões no Paquistão
O custo de explorar deve se tornar maior do que o de cumprir a lei

O custo de explorar deve se tornar maior do que o de cumprir a lei
A divisão do Raj britânico em 1947 deu origem a dois irmãos inimigos – a Índia e o Paquistão. A guerra latente entre as duas potências resulta regularmente em trocas de tiros na região fronteiriça da Caxemira. Bênção para as forças nacionalistas de ambos os lados da fronteira; e ameaça ao planeta, já que os dois Estados possuem armas nucleares
Num contexto de crise econômica, o Paquistão é, mais uma vez, sacudido por uma tempestade política. Afastado do cargo de primeiro-ministro, Imran Khan, que organizou uma marcha contra seu sucessor, Shehbaz Sharif, escapou de uma tentativa de assassinato. Em Karachi, líderes locais, empresários e militares se unem para controlar com mão de ferro os trabalhadores da indústria têxtil
Desde 1947, três guerras opuseram a Índia e o Paquistão na disputa pela Caxemira. A parte ocupada por Nova Déli vive num regime de exceção. Em 8 de julho, Burhan Muzaffar Wani, chefe do grupo separatista Hizbul Mujahideen, foi morto por militares.Raphaël Godechot
Considerado estratégico, o controle das ex-repúblicas soviéticas da Ásia sustentou a rivalidade entre grandes potências. No entanto, o avanço norte-americano foi passageiro, ao passo que a expansão econômica chinesa não atrapalha mais os interesses russosRégis Genté
Enquanto o general e ex-presidente Pervez Musharraf era acusado de traição por impor um estado de exceção em 2007, a Suprema Corte do Paquistão consolidava seus poderes em todas as direções. Porém, após estabelecer o estado de direito, ela se arroga cada vez mais prerrogativas e preocupa os democratasChristophe Jaffrelot
Os Estados Unidos não podem romper com o Paquistão nem ter a certeza de poder contar com ele. Trata-se de um dilema cujas relações desenrolam-se em dois tabuleiros decisivos. O primeiro é, obviamente, o Afeganistão, com o futuro da ocupação militar do país. O segundo, muito maior, é o da Ásia emergenteJean-Luc Racine
De um lado, o Talibã. De outro, o governo. Entre eles, a população paquistanesa, que atualmente não sabe a quem temer: se o exército insurgente ou as tropas oficiais. A onda de dúvidas e o sentimento de insegurança no Paquistão geram disputas e tensões cada vez mais acirradas
Nos últimos meses, os ataques feitos por aviões americanos não-tripulados se intensificaram nas zonas tribais do Paquistão. Quer os seus alvos sejam militantes da Al-Qaeda, quer talibãs afegãos ou paquistaneses, os robôs vêm travando a custos reduzidos uma guerra permanente contra todos os insurgentes
Tanques, artilharia,, aviões bombardeiros. Enquanto os governos americano e paquistanês aliam-se na guerra contra a Al-Quaeda-Talibã, 1 milhão de refugiados vivem em tendas de lona escaldantes, sem água potável ou postos de saúde. A operação desligada da preocupação com a população dificilmente enfraquecerá o Talibã
É notório que as forças armadas constituem o maior partido político do país. Poucos sabem, no entanto, que elas concentram também um formidável poder econômico, responsável por 6% do produto interno bruto. Seus negócios vão da alta finança e da indústria pesada até a administração de padarias e salões de beleza
Num contexto geopolítico instável, um dos mais sólidos pontos de apoio de Bush acaba de ceder. A proclamação do estado de sítio pelo general Pervez Musharraf é uma grave confissão de fraqueza da parte do ditador paquistanês