O centro político ainda importa?
A ideia de que o Brasil vive uma polarização crescente tornou-se quase um lugar-comum no debate público

A ideia de que o Brasil vive uma polarização crescente tornou-se quase um lugar-comum no debate público
O problema é mais civilizacional do que partidário. Vivemos uma era em que o discurso vale mais que o dado, e a virtude moral substitui a evidência
Mesmo reconhecendo assimetrias, a polarização afetiva atua como um véu: ela distorce o olhar, simplifica o país em duas metades e impede que percebamos a complexidade real da sociedade brasileira
Ver a polarização como o maior dos males da Terra pode embutir um misto de ilusão, oportunismo e tergiversação diante de um quadro de riscos colocados para a democracia brasileira. A experiência do governo Bolsonaro mostra o caráter golpista, autoritário, elitista, negacionista, excludente e submisso ao imperialismo da extrema direita. Como não polarizar com um regime desses?
a polarização entre democracia e autoritarismo que vem marcando a política brasileira desde 2018 ditará os sentidos estratégicos das eleições municipais deste ano
Se quando “Pedro fala de Paulo, Pedro fala mais de Pedro do que de Paulo”, com algumas adaptações poderemos inferir a situação de Pedro Brasileiro em nossa própria geografia política pré-eleitoral
Se foi conveniente para a disputa eleitoral e continua sendo para sensibilizar parte da sociedade em defesa de um governo que busca ser o mais amplo possível, a polarização com o bolsonarismo não é o melhor caminho para a reconstrução de um campo progressista com vigorosas raízes populares
Agora se estabelece, neste segundo turno, uma disputa entre essa extrema direita e uma grande coalizão democrática que luta para assegurar um governo que respeite direitos, cuide das famílias por meio das políticas públicas e erradique a fome e a miséria.
Relações pessoais que foram rompidas ou abaladas pela política importam
Qualificar nosso olhar e compreender a lógica da polarização político-ideológica como um instrumento deliberado de manipulação social é urgente, se não quisermos repetir a melodia trágica de 2018. Esta análise tem a finalidade de apresentar a estrutura da polarização sociopolítica e mostrar formas de combatê-la
Esquerdas e oposição ao fenômeno bolsonarista e seu produto – o presidente da República – precisam decidir se vão para alguma confrontação ou se conversam com quem está do outro lado
os botões do Facebook formam um sistema de recompensa à mediocridade. Guiados pela necessidade de afagar seu ego e autoestima, a esmagadora maioria das pessoas estabelece como objetivo natural a obtenção do maior número possível de “likes”