Meu nome não é Mauro
O crime não está na ambição de viver melhor. O crime, de fato, está em um país que nega à juventude periférica qualquer outro horizonte, restringindo o futuro ao talento excepcional ou à transgressão

O crime não está na ambição de viver melhor. O crime, de fato, está em um país que nega à juventude periférica qualquer outro horizonte, restringindo o futuro ao talento excepcional ou à transgressão
O que torna um povo amadurecido não são as guerras, o extermínio de outros povos e culturas, mas a capacidade de se reinventar com as mortes
Se por um lado é urgente afirmar as experiências raciais e nomear a opressão para combatê-la, por outro essa nomeação também mantém a lógica racial funcionando
Vinte e um anos após o Massacre da Praça da Sé, a memória da população em situação de rua expõe as raízes históricas das desigualdades e convoca à luta por moradia digna, justiça social e o fim da rua como destino imposto
Leitura atenta da IN nº 261/2025, do Ministério da Gestão e da Inovação, revela um projeto: garantir que a política de cotas raciais siga inócua
Num país em que um padrão de ser, pensar e viver branco, capitalista e cristão estrutura as instituições, as relações sociais e as subjetividades como ponto de partida e fim, organizando hierarquias raciais que atravessam a totalidade da vida social, esses atropelos não resultam de mera falha ou desatenção dos legisladores, mas são parte sistemática e planejada de um projeto racista
O surgimento do MNU foi resultado de encontros, debates e articulações feitas em todo o país, principalmente entre jovens negros universitários, operários, militantes de religiões de matriz africana, jornalistas e mães de vítimas da violência policial
O problema não está na cor de quem sofre, mas no olhar racializado de quem discrimina. A passabilidade não anula o racismo, apenas o torna mais sorrateiro e, por isso mesmo, mais cruel
Assim como práticas antirracistas que, por serem improvisadas, informais e realizadas em espaços de convívio doméstico — muitas vezes em resposta às vivências cotidianas das crianças — costumam não ser registradas pelas análises sociológicas dos movimentos sociais, seria possível pensar que também existam, no Brasil, atitudes semelhantes voltadas à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes? Seriam essas práticas, transmitidas entre gerações, portadoras de uma resistência invisível — de uma potência silenciosa?
Se aceitarmos que as palavras têm efeitos performativos, que agem no mundo, Léo Lins deixa de ser apenas um comediante. É um agente da barbárie, da violência e do ódio, ainda que o semblante se pretenda cômico
O pacto narcísico da branquitude não apenas fomenta e reproduz o racismo, como o faz em nome da imagem das pessoas brancas que ainda selecionam nas instituições aqueles que serão silenciados e os que podem vociferar boas intenções
A violência do Estado no Brasil atinge especialmente negros e pobres, categorias que, não por acaso, costumam estar relacionadas, e assume os contornos de uma “guerra justa” contra a periferia