A corrida armamentista e o colapso da segurança pública no Rio de Janeiro
O poder público segue apegado à estética do confronto armado e à retórica vazia da supremacia material

O poder público segue apegado à estética do confronto armado e à retórica vazia da supremacia material
Não podemos aceitar nenhuma dessas mortes. Só matam mais de cem porque diariamente matam vários “uns” e nenhuma transformação concreta acontece
Os recursos do Estado devem ser usados com planejamento, inteligência e para buscar atingir os líderes e criminosos de “alto escalão” que atuam em toda a cidade em favor do crime organizado. Mas não é isso que se observa nos últimos anos na cidade do Rio de Janeiro. Há tempos o poder público promove várias ações semelhantes que não desmantelam as facções do crime organizado
Um governo que aposta na morte como espetáculo e na brutalidade como política pública
Cultura tóxica que recompensa a brutalidade em detrimento da inteligência, aproximando perigosamente a lógica da polícia da lógica dos próprios criminosos que deveria combater
A eficiência do modelo carioca o tornou exportável. A milícia, nascida nas zonas esquecidas pelo poder público, hoje atravessa estados, regiões e siglas partidárias
Que risco real se combate ao banir a música da areia, senão o risco de sermos felizes de forma espontânea? Não estaria a prefeitura, por via de consequência, coibindo também o simples direito de dançar na orla!?
As facções brasileiras operam de forma descentralizada, com lógicas autônomas que dificultam pactos duradouros. Ainda que existam momentos de convergência estratégica, eles tendem a ser curtos, parciais e territorialmente desiguais
A intolerância aos debates, com claro abuso de direito de liberdade de expressão, e uma aparente jogada às favas do diálogo, têm sido constantes
O assassinato de Marielle Franco expôs a fusão entre crime organizado e política no Brasil. Entenda neste terceiro e último artigo da série Rio em rota de colisão como as milícias se tornaram parte do Estado e o impacto desse avanço para a democracia
Segundo artigo da série Rio em rota de colisão discute o crescimento das milícias e o papel das políticas públicas no fortalecimento desses grupos armados
O desprezo pelas mortes desses policiais do Rio de Janeiro, sobretudo da policia Militar, que morrem nestas operações, seria pelo fato de muitos desses policiais virem do mesmo extrato social?