O Brasil precisa prender mais?
O “museu de grandes novidades” nas propostas eleitorais em matéria criminal

O “museu de grandes novidades” nas propostas eleitorais em matéria criminal
Nascidas entre as ruínas da ordem pública comunista, as empresas de segurança privada da Bulgária têm hoje quase tantos efetivos quanto as da França, em uma população dez vezes menor. E não se limitam a garantir a proteção da propriedade, servindo também como um substituto dos serviços públicos e prosperando no cruzamento de múltiplos interesses entre a vida política, os círculos criminosos e os poderes financeiros
Com a retomada do Pronasci, o presidente cumpre mais uma promessa de campanha e apresenta um novo horizonte para as políticas públicas de segurança
O Brasil necessita mudar (urgentemente) sua cultura de deixar em segundo plano o planejamento estratégico de segurança para ameaças internas e externas. A segurança e defesa é um tema sensível e que trabalha nas sombras; uma possível falha ou mau planejamento pode ocasionar em um desastre e foi o que aconteceu, e poderia ser ainda pior
A mencionada concentração dos homicídios e outros crimes violentos no Brasil não é explicada somente por fatores ligados aos aspectos demográficos, socioeconômicos ou relacionados a disfuncionalidades do sistema de justiça criminal. Para além desses, existem condicionantes ligados à (des)ordem urbana que contribuem para que crimes violentos se concentrem potencialmente nas cidades e metrópoles brasileiras
E, agora, lá estava eu novamente escoltado. Alguns me perguntam, ao me verem nesta condição, o motivo para tanto, mais precisamente, querem saber de onde vem o perigo, imaginando ser dos presos
Apoiado pelos principais sindicatos de policiais, o projeto de lei sobre segurança global foi votado pela Assembleia Nacional francesa em 24 de novembro. Ele estende uma tendência repressiva que, da luta contra o terrorismo ao estado de emergência sanitário, vincula a segurança à restrição de liberdades. E se essa estratégia se mostrasse contraprodutiva?
Acabar com o Consea representa um grave retrocesso, a negação de um espaço público plural no debate e controle social das políticas de segurança alimentar e nutricional: como o combate à fome e à miséria; a inclusão do direito à alimentação na Constituição Federal e a aprovação da Lei Orgânica, a Política e o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
Quanto à vida nas cidades, que abrigam mais de 85% dos brasileiros, ela vem melhorando ano após ano. O direito à cidade, direito de acessar bens e serviços públicos e usufruir deles, se amplia em razão da participação das cidadãs e cidadãos nas decisões sobre as políticas públicas.
A existência do Plano Nacional de Ação sobre Mulheres, Paz e Segurança e o seu aprimoramento estão ameaçados no Brasil em um contexto de restrições orçamentárias, desmembramento e fechamento de órgãos políticos e de acirradas tensões partidárias. Cresce no país a sensação de intolerância a opiniões políticas diversas e a polarização em torno de normativas internacionais consagradas, como igualdade de gênero e proteção dos direitos humanos, ora contestadas como doutrinação ideológica
Quem passeia pelas cidades brasileiras rapidamente se dá conta dos efeitos práticos de um sistema alicerçado na violência: grades, muros, ruas com cancelas, milícias fazendo as vezes de segurança privada nos bairros de classe média e alta. Grades, muros, toques de recolher, chacinas em bares nos bairros de classe baixa. O contraponto ao genocídio de jovens negros, índios, mulheres e outras minorias é um país estruturado de alto a baixo para operar, geração após geração, esse genocídio
A crescente criminalidade violenta não foi capaz de impedir a consolidação democrática e a legitimação do imaginário de cidadania e direitos que lhe é inerente. Dessa forma, violência e democracia expandiram-se de maneira interligada, complexa e paradoxalPablo Lira