O sionismo no centro da política internacional
A cultura humanista, internacionalista e pacifista do judaísmo, anterior à criação do Estado de Israel, foi radicalmente corrompida e ultrapassada

A cultura humanista, internacionalista e pacifista do judaísmo, anterior à criação do Estado de Israel, foi radicalmente corrompida e ultrapassada
O pesadelo judeu foi anunciado por Hannah Arendt já no início de 1948. Na época, Arendt prenunciou que poderia haver uma ruptura entre o Estado de Israel e os judeus da diáspora. Mas a realidade foi muito mais cruel – o sionismo capturou o judaísmo e se transformou oficialmente em sua nova identidade tanto em Israel quanto na diáspora, apesar dos protestos de algumas organizações judaicas antissionistas
Gaza é um laboratório que combina racismo, militarismo e colonialismo, produzindo o experimento deliberado e intencional mais brutal e sanguinário do século XXI: o genocídio palestino
A análise desses casos exige um olhar crítico sobre as próprias limitações das respostas oferecidas tanto pelas plataformas quanto pelo movimento BDS
Apesar da diferença de escala institucional entre os dois países, é importante
destacar a origem comum das iniciativas: o campo evangélico conservador. A retórica do sionismo cristão mobiliza símbolos bíblicos e a ideia de bênção divina para justificar o apoio político a Israel, reforçando o papel de ambos os países como “aliados espirituais” e seculares
Quantas vezes pode um homem virar a cabeça e fazer de conta que, tão-somente, não está vendo nada?
Movimento laico cujos militantes eram em sua maioria originalmente ateus, o sionismo não hesitou em se apropriar de conceitos fundamentais do judaísmo e remodelá-los para construir uma identidade nacional. Com essa preponderância histórica do referencial religioso, como podemos nos surpreender que o discurso messiânico seja hoje usado para justificar a devastadora guerra travada pelo Exército israelense em Gaza?
É certo que o messianismo prevê a reunião de exilados em Israel. Mas inferir a criação de um Estado-nação na Palestina exige distorcer a tradição e o significado que ela dá à expressão Terra Prometida
Ao lançarmos a divulgação do nosso Seminário no Instagram, começamos a receber uma série de manifestações hostis desqualificando o evento, como se ao propormos um debate sobre uma das expressões do sionismo no Brasil – o sionismo cristão – estivéssemos fazendo uma defesa da geopolítica do atual Estado de Israel
Tensão entre sionismo e neonazismo também está na base do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que inspira o presidente brasileiro.
Pela quarta vez em dois anos, a oposição ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se vê diante do mesmo impasse: embora majoritária, ela é tão heterogênea que não consegue chegar a um acordo. Com treze das 120 cadeiras do Parlamento, a esquerda sionista, encarnada pelo histórico Partido Trabalhista e pelo Meretz, parece velar a hegemonia perdida
O esforço de reescrever a história lançado no fim da Guerra Fria continua até hoje. Na Alemanha, uma poderosa corrente intelectual imputa a atual multiplicação de atos antissemitas à existência da Alemanha Oriental, a outra Alemanha, comunista, que desapareceu em 1990. É o cúmulo quando se conhece a longa indulgência do Ocidente com os antigos nazistas