Parques públicos não podem virar shoppings a céu aberto
Qual é o limite da exploração econômica dentro dos nossos parques e quem participa dessa definição?

Qual é o limite da exploração econômica dentro dos nossos parques e quem participa dessa definição?
A suspeita de uma forte associação entre a ampliação dos ganhos dos investidores e a precarização dos serviços urbanos nos levou a investigar as transformações na economia política das infraestruturas urbanas e suas especificidades resultantes de uma trajetória particular de entrelaçamento entre privatização e financeirização
Reconhecer ruas de paralelepípedo como parte do patrimônio urbano significa admitir que o chão também conta histórias, e que essas histórias são dignas de resguardo institucional
Cidades destruídas pela guerra colocam em xeque não apenas a capacidade técnica da arquitetura e do urbanismo, mas também seus fundamentos éticos, políticos e sociais. Diante da devastação, projetar deixa de ser um exercício abstrato e passa a lidar diretamente com perda, memória e sobrevivência coletiva
A chamada “falência da água” é uma crise de alcance global: diversas regiões do planeta enfrentam a convergência entre limites naturais e escolhas humanas mal calibradas
O saneamento básico é um dos maiores problemas das grandes cidades e metrópoles. Não apenas no mundo pós-revolução industrial, mas desde a formação das primeiras aglomerações humanas
A AUP envolve o cultivo de alimentos, a criação de animais e seus produtos, mas também abrange outras formas de produção, como flores, plantas ornamentais, árvores e materiais voltados à indústria, como o tabaco e a seda
O que une esses extremos é o desafio de pensar uma metrópole que cresceu sem garantir o mesmo direito ao verde e à infraestrutura para todos. A paisagem da desigualdade se desenha nas árvores que faltam e nas histórias que resistem
O discurso neoliberal do urbanismo vem sendo cada dia mais legitimado. Se fala muito em formas construídas, liberdade ao mercado imobiliário e a um ‘caos’ urbano ‘planejado’ pelo Estado. Sobra cinismo e falta coragem para falar sobre capitalismo, neoliberalismo, trabalho e proteção social
Sob essa camada de verniz institucional, os despejos — ora silenciosos, ora violentos — avançam como parte do processo. Porque, nesse palco idealizado, o que não se encaixa precisa ser retirado. Corpos que contradizem o cenário não cabem na moldura
Os escândalos da política urbana brasileira não são novos, mas têm ganhado novos contornos com estratégias de comunicação e articulação, sobretudo quando atravessam conselhos participativos e deliberativos. Na esfera dos órgãos de preservação do patrimônio, cabe perguntar: como defender o patrimônio cultural diante de uma elite que odeia o próprio país?
Mais do que entender os significados das palavras, precisamos entender as intenções que as mobilizam no cotidiano. Não é só a palavra que importa, mas também o emissor da mensagem. Afinal, quem fala o que fala, fala por quê? Fala de onde?