Matar e deixar que se matem
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.

No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
O ato extremo de dispor o corpo à oportunidade da morte ataca as arbitrariedades profundamente cortantes, porém finamente discretas, do fazer burocrático. Confira o terceiro artigo da série Estado de Choque, publicada no Le Monde Diplomatique Brasil entre fevereiro e julho de 2019
Movimentos extremistas – na sua maioria – são por assim dizer falocêntricos
Em vez de difamar foliões, por que não apresentar propostas específicas contra a violência e o desemprego?
Não podendo contrariar estudos e estatísticas, os adeptos da truculência amiúde recorrem a uma conhecida questão de apelo emocional: e se fosse o seu filho?, perguntam, ao se referir a uma vítima de latrocínio
Moro sugeriu que juízes possam extinguir penas de policiais que alegarem que mataram por estarem submetidos a “violenta emoção, escusável medo ou surpresa”. Pergunto: se o cabo que matou Hélio justificasse que atirou porque se sentiu surpreendido, seria justo que ele não fosse responsabilizado?
A quem interessa manter a insuficiência, a ineficiência, a ineficácia ou até a eliminação das políticas públicas em áreas como saúde, educação, cultura, segurança, mobilidade urbana, infraestrutura, saneamento básico? Se um governo não está disponível para aprimorar e assegurar políticas que visem melhorias da vida de seus cidadãos, a quem ele serve?
O discurso do simples endurecimento da política de segurança por si mesmo, ao invés de solucionar a crise, a agravará ainda mais
Essa violência, se ela realmente se suceder, virá acompanhada de uma retórica que valoriza a unidade, a pátria e a paz
Não podemos esquecer quais grupos estão primeiro em risco em um governo Bolsonaro
Minha mãe deveria estar orgulhosa. Mas não. Ela está com medo
Não se trata de acaso que as principais vítimas da violência eleitoral sejam os grupos mais atacados por Bolsonaro não somente nesta campanha, mas ao longo dos 27 anos de sua vida pública, ou seja, mulheres, negros e a população LGBTI