As prioridades na pandemia do Covid-19
Vivemos atualmente o desvendamento da extrema caça às rendas públicas: farinha pouca, meu pirão primeiro – mesmo tirando o pirão de quem tem fome.

Vivemos atualmente o desvendamento da extrema caça às rendas públicas: farinha pouca, meu pirão primeiro – mesmo tirando o pirão de quem tem fome.
A narrativa do filme O poço impressiona pela sua atualidade subjetiva, sobretudo pela mensagem assustadoramente verdadeira que nos vincula ao filme: o individualismo ao extremo leva o outro, de quem dependemos, à morte.
O coronavírus parou o mundo e vem ceifando vidas por todo o planeta. A economia global diminuiu consideravelmente seu ritmo e os Estados se depararam com uma excepcionalidade que não estava nos planos de governo de nenhum dos governantes atuais
O método e o objetivo das ações de Bolsonaro só podem ser entendidos sob a ótica do caos
Bolsonaro não está interessado em solucionar a questão da pandemia. Pelo contrário, em pronunciamento polêmico na noite do dia 24 de março, o presidente reiterou seu posicionamento contra a política de distanciamento social, que é consenso não apenas internacional, mas também dentro do país, como refletido nas ações de governadores, prefeitos e de seu próprio ministro da saúde.
Simulador de longo prazo prevê novos surtos da pandemia. Ferramenta está disponível online e pode ser usada livremente por quem quiser
A verdade é que, em maior ou menor grau, democracias contemporâneas se disciplinaram às chantagens do fundamentalismo de mercado (a expressão se popularizou com o sociólogo americano Fred Block). O senso comum econômico – repetido a cada notícia de jornal, incorporado a cada decisão jurídica, normalizado em cada conversa informal – tem cumprido o papel de estabelecer os vínculos entre reformas e políticas liberais e bom desempenho econômico.
O presidente pede que retornemos às ruas. Numa democracia crítica, elegemos governantes, mas não somos passivos a ele. Devemos interrogar a política com nosso poder de juízo, nossa capacidade de pensar. A diferença de opiniões é cívica e deve alastrar-se como um vírus, deve ser contagiosa, pois as pessoas têm o direito à vida frente aqueles que defendem o intolerável. Não atender ao pedido do presidente é uma declaração de humanidade.
Talvez não seja por acaso que Bolsonaro acuse a imprensa de histeria, essa que se encontra tão confundida com a feminilidade ao ponto que, ao exprimir a palavra de histeria já se configure como uma ofensa às mulheres, conforme ensina o dicionário, “hyster”, do grego, designa útero. Porém, há algo que Bolsonaro ignora para além dos riscos de seu discurso irresponsável, neoliberal e genocida: que há na histeria um potencial político e produtivo.
O que precisamos saber e fazer para superar a covidcrise.