O retorno das leis celeradas
A repressão policial e judiciária que atinge os movimentos de protesto na França ilustra um processo mais do que centenário: as leis de exceção votadas em momentos de emergência acabam se tornando a norma

A repressão policial e judiciária que atinge os movimentos de protesto na França ilustra um processo mais do que centenário: as leis de exceção votadas em momentos de emergência acabam se tornando a norma
Como remediar a miséria que atinge os estudantes? Na França, após a Segunda Guerra Mundial, as forças sindicais e associações promoveram o surgimento de uma ideia hoje em dia esquecida: assalariar os “jovens trabalhadores intelectuais”
Esta já é a terceira ou quarta onda de mobilizações de massa contra a ordem neoliberal e seus governantes? De Beirute a Santiago, sem esquecer Paris, o poder político parece em todo caso incapaz de restabelecer a situação, inclusive quando apela para a forte repressão
O ambiente corporativo torna-se cada vez mais estressante e, por vezes, letal – um desenvolvimento que contribuiu para explicar por que muitos assalariados rejeitam a ideia de aposentar-se ainda mais tarde
Independentemente da coloração partidária, sucessivos governos pelo mundo encadeiam reformas da previdência. É hora de reconsiderar completamente esse momento da vida e de repensar o conjunto da carreira, estabelecendo, por exemplo, um salário mínimo estudantil. Já os assalariados, que sofrem com o aumento das doenças laborais, não querem adiar a idade da aposentadoria nem deixar seus filhos sem direitos. Essa rejeição do individualismo suscita manifestações duramente reprimidas, que entram em ressonância com outras manifestações pelo mundo
O neoliberalismo ataca o Estado e busca suprimir os bens públicos, que se transformam em negócios privados. Só quem paga tem acesso. O que antes era considerado um direito e também um salário indireto, pois compunha os bens e serviços necessários para a vida, transformou-se em mercadoria. E os trabalhadores, precarizados, não conseguem pagar a conta.
Ex-professor da ECA, mais que falar da profissão, defende que as pessoas devem ter consciência sobre onde vivem
O filme narra, enfim, como o mundo dos homens viola a solidariedade entre as mulheres, numa operação contínua de dividir para conquistar, assim como nos ensinou a historiadora Silvia Federicci.
O capitalismo se radicalizou de tal modo que não se utiliza mais somente as potências do corpo, mas implica-se a subjetividade em ideais competitivos.
Neste ensaio político-filosófico, apresentamos alguns registros que o configuram e que nos podem permitir vislumbrar a conformação de um amplo campo que transborda os seus próprios marcos de exploração das atividades humanas.