Diplô Online
Porque bandido bom não é bandido morto
O caso de Paulo Alberto é mais do que uma tragédia pessoal. É o retrato de um país que aprendeu a conviver com a injustiça e a chamá-la de Justiça
O fardo do homem branco e os 134 anos do STF
A ausência de pessoas indígenas e negras nos debates públicos, nas instituições e no STF reforça a ideia e o estereótipo do homem branco, único “capaz” de estar à frente das instituições, de levar o fardo do Brasil nas costas. E o que isso tem a ver com o Supremo Tribunal Federal e a mais nova nomeação do presidente Lula, a terceira, para o maior cargo da Justiça brasileira? Tudo
Os caminhos para o Governo Federal implementar a Tarifa Zero universal no Brasil
É possível financiar a Tarifa Zero em todo o país? E, principalmente, quem pagaria a conta de um sistema universal?
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A “solução final” da questão Palestina e o fim da utopia internacional
Após quase 80 anos da existência do Estado de Israel, o fim da linha para os palestinos parece mais próximo do que nunca, enquanto a “comunidade” internacional revela seu vazio moral
O direito à casa, à cidade, à urbanidade, e a escala 6×1
Quanto ao direito à cidade, não basta reviver uma prática política que o coloque em seu foco central, apenas partindo de serviços e redesenho de partes da cidade
Roteiro conhecido, destino incerto
O país montanhoso que até ontem estampava revistas de viagem e cartões postais; hoje, ocupa manchetes com tumultos, renúncias de primeiros-ministros e protestos incendiários. O que está acontecendo? Não se preocupe, não pretendo explicar.
Terra global pela dignidade
A Terra Global pela Dignidade é a luta pelo direito à vida, pela proteção da infância, pelo resgate dos pactos do pós-guerra
Da espanholização do Brasil
Se na primeira grande onda neoliberal (1990) era possível prever os efeitos socioeconômicos de futuras crises na Europa olhando para o Brasil, não há dúvidas de que hoje, nós, brasileiros, podemos prever o que possivelmente nos acontecerá olhando o que passou na Espanha. Viveremos a “espanholização do Brasil”
Dois Minutos de Ódio (ou o perigo de ignorar os ressentidos)
Com a crescente maré conservadora e autoritária global, ondas de ódio tem atingido a sociedade brasileira com frequência horrenda. Não levar seus impulsionadores a sério é um risco e não intervir pode ser um equívoco danoso, capaz de dar espaço à efervescência de discursos fascistas.
Uma nova ordem bipolar: a tragédia de um discurso superficial
Nesse jogo de linguagem dos dois comportamentos linguísticos, a popularidade do incorreto, esse discurso historicamente furioso que tem como fim combater o avanço das conquistas sociais, fortalece o ódio. Nos faz regredir ao fundamentalismo, impondo um estilo de vida sobre a diversidade, conseqüência da globalização, hoje criticada mais por uma perspectiva reacionária do que pelo ponto de vista do lugar em relação ao global
Dez reais e a valorização do salário mínimo no Brasil
O Governo do Presidente Michel Temer rompeu com a política de valorização do salário mínimo. Tomado pela desorientação do fundamentalismo fiscal expresso na abstrata tese da “austeridade”, o governo Federal determinou que o valor do reajuste do salário mínimo para 2017 ficará R$ 10 abaixo do previsto (R$ 979) pela Lei das Diretrizes orçamentárias – sancionada pelo próprio Presidente Temer.
Cinco motivos pelos quais um fascista tem chances reais nas próximas eleições
A rua se mostra como a última trincheira. Mas ela está vazia, de pessoas e parece também de sentidos. Estamos com a pele dura, e vamos aceitando a excepcionalidade como um processo ordinário. No Brasil estamos vivendo um filme, de drama e com um roteiro ditado por poucos. É neste cenário, de almas derrotadas, de debacle econômica e de paralisia geral é que escrevo este artigo.
Um caminho para o ódio: ciberespaço e o crescimento da extrema direita
Aquele jovem que vive na fenda entre os dois mundos, defendendo no mundo virtual uma coisa totalmente diferente do que faz no mundo real, acaba por aderir aos velhos que sempre defenderam tal discurso. Com o poder da retórica que, por sua vez, sempre prestou para seduzir pessoas, os carcomidos da política, percebendo que seu discurso tem demanda, aliciam a juventude iludida pela liberdade que as redes sociais e os jogos de mundo aberto proporcionam
A memória da terra: o que o marco temporal não pode apagar
No próximo dia 16, o STF julgará ações que podem ser decisivas para o futuro dos povos indígenas e quilombolas no Brasil. No centro da controvérsia jurídica está a noção de “terra tradicionalmente ocupada” e a ameaça de consolidação da tese político-jurídica do “marco temporal” – sobre as quais há um debate marcado por desinformação e preconceito. Este artigo busca discutir ambas de um ponto de vista antropológico.
O desmonte da universidade pública e branqueamento cultural: outra estratégia do genocídio
O branqueamento cultural como complemento do genocídio é um ponto de partida interessante para compreender os ataques ao direito à educação materializados pela operação de desmonte das universidades públicas estaduais e federais em curso e cujas consequências já são sentidas com maior intensidade pelos setores mais excluídos
As mulheres e a Batalha de Mossul
Desde combatentes, líderes, ativistas para a paz, trabalhadoras humanitárias, representantes de governos, jornalistas e fotógrafas, as mulheres assumem papéis múltiplos e desempenham variadas funções em cenários de guerra
O médico e o monstro – A reforma trabalhista e o exercício da medicina no Brasil
Uma das alterações mais prejudiciais da reforma trabalhista é a instituição do contrato intermitente, o trabalhador just in time. Nesta modalidade de contrato, o médico – que deverá ficar disponível 24 por dia – será solicitado a prestar seus serviços conforme as demandas especificas da empresa, hospital ou clínica em questão – é a uberização da profissão médica.
O craque crespo
Desde que Neymar despontou no futebol, uma de suas marcas registradas é o cabelo. Quando conseguimos fazer a transição capilar, esse gesto nos aproxima da nossa real identidade e nos empodera. Falo por experiência própria. Passei 30 anos usando cabelos lisos e já nem me lembrava de como eram meus fios naturais. Recuperar a textura crespa, para além do cuidado estético, foi um ato político, de aceitação, de autorreconhecimento e de redescoberta da minha negritude, algo que consegui no Brasil graças a minha aproximação com as militantes negras, donas de um discurso muito poderoso nesse sentido.
“Não há negociação se a oposição mantiver uma estratégia baseada na insurreição”, afirma Adolfo Pérez Esquivel
Nobel da Paz em 1980, ativista argentino diz que situação da Venezuela exige serenidade. Para ele, divisão social pode ser resolvida pelo diálogo político. “Desde o governo de Hugo Chávez, a Venezuela sofreu com as agressões dos Estados Unidos, que não quer perder a hegemonia continental, e intervém em todos os governos e suas respectivas economias”
É preciso falar de Rafael Braga Vieira
Mais do que isso, a raça como construto social e invenção que estrutura a colonialidade do poder sempre exerceu centralidade nas políticas de contenção e repressão no continente latino-americano, funcionando como um potente marcador social de desigualdades
Entre o medo, o desdém e a cólera: o avanço da extrema direita no Brasil
A extrema direita tem uma função útil para o mercado e para o governo golpista: usar os seus seguidores para “criminalizar” e estigmatizar toda a esquerda e transformar, por conseguinte, a luta por liberdade e justiça social em uma falácia. É lógico que se aproveitam das condições sócio-históricas da democracia atual, onde uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não sabem a quem ser leais.
A exaustão da Nova República
Para as classes subalternas, a deficiência da Nova República manifesta-se no caráter impermeável do Estado brasileiro às demandas democratizantes da população. A convicção de que “todos os políticos são iguais” decorre da constatação prática de que, no final das contas, os imperativos do capital sempre acabam prevalecendo. Para as classes dominantes, é o oposto.
Há lógica no aumento dos impostos sobre combustíveis?
O mito das “contas que não fecham”, sem dizer por quê, ou colocando a culpa em uma irresponsabilidade abstrata de governos anteriores, é o instrumento subjetivo que pacifica o povo diante de tamanha extorsão em favor de poucos privilegiados que já detém fortunas inimagináveis.
Unila: por uma integração dos povos latinocaribenhos
A Unila nasce deste entroncamento entre a crise estrutural do neoliberalismo e o protagonismo de novos atores em cena na política regional, a partir das lutas sociais e políticas que delimitaram a chegada no poder de líderes sociais indígenas, sindicais e de movimentos sociais. Deste entroncamento fica explícito que a Unila aparecia como resposta política à histórica desigualdade estrutural da região, capitaneada pelo subimperialismo brasileiro no continente.
É chegada a hora de pressionar por uma política de economia solidária
A Economia Solidária é também uma atividade que estimula a cidadania ao fomentar valores como solidariedade, cooperação, diálogo e democracia, define o parecer à CCJ de autoria da deputada Maria do Rosário.
A Rússia volta ao Caribe
Quase 30 anos após a queda da URSS, doações, financiamentos e apoio ideológico podem mascarar interesses russos na região. Entre os projetos, estão o de construir um canal semelhante ao do Panamá, historicamente sob domínio dos Estados Unidos, no território nicaraguense. A obra seria financiada com dinheiro chinês e tocada por administradores russos. Nenhum veículo da imprensa internacional conseguiu descobrir quem seria o investidor da China interessado no negócio.
Direitos individuais no século da geolocalização
A globalização se retroalimenta do Big Data e das ferramentas geoespaciais. Pessoas se georreferenciam voluntariamente em redes sociais; o Estado georreferencia os cidadãos para efeitos tributários, criminais e até de espionagem; há políticas públicas que envolvem a prevenção de catástrofes naturais, a urbanização de favelas, o planejamento ambiental, a viabilização de infraestruturas e a gestão de detentos por tornozeleiras eletrônicas; empresas se utilizam do geomarketing para diversas finalidades econômicas; chega-se ao ponto de se criar a expressão geoslavery (geoescravo, em tradução livre) para alertar sobre invasões de privacidade devido à expansão desenfreada de serviços baseados em geolocalização.

