Entre a rua e o gabinete: o paradoxo bolsonarista
O jeito bolsonarista de governar demonstra que apoio político e popular não se confundem, mas se complementam

O jeito bolsonarista de governar demonstra que apoio político e popular não se confundem, mas se complementam
A COP25, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, realizada em Madri entre os dias 2 e 13 de dezembro, mostrou de forma inequívoca a nova posição de “pária ambiental” assumida pelo Brasil diante dos retrocessos na governança ambiental empreendidos pelo governo, tendo na figura de Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, a caricatura de uma gestão incompetente e distante dos desafios deste século XXI.
A pós-verdade soa como um eufemismo inconveniente, uma vez que este, por definição, cumpre a função de suavizar uma expressão ou evento de carga negativa. As imagens de satélites da Nasa e as nuvens de fumaça que cobrem os céus de boa parte do país, porém, dispensam figuras de linguagem contraproducentes. O cenário caótico, mais do que nunca, justifica alarmismos e sobressaltos, exigindo ações rápidas para conter as chamas que se espalharam da democracia brasileira para a floresta amazônica.
A extração e utilização dos recursos naturais sem qualquer fiscalização por parte dos órgãos ambientais, a longo prazo, pode representar severos problemas no desenvolvimento do país, em especial, se persistir a tendência do atual governo em flexibilizar a proteção do meio ambiente a pretexto de progredir economicamente o país.
Não se trata de um problema de falta de ferramentas para conter o crescimento da desigualdade social. Pode-se taxar os super-salários, taxar grandes fortunas, elevar o salário mínimo. Há meios de sobra para conter a escalada da desigualdade social.
Reeleito para seu segundo mandato como governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) analisa as perspectivas políticas para os próximos anos, as relações de sua região, onde a esquerda saiu vitoriosa, com o futuro governo e as dinâmicas da corrida eleitoral. “Se o programa de Guedes tivesse sido apresentado, Bolsonaro perderia a eleição”.
Esta é a maior recessão pela qual passa o Brasil, aprofundada por um governo ilegítimo mediante a intensificação das políticas de austeridade e seguida do mais lento ciclo de retomada da história
Um regime de não democracia não pode prescindir de eleições, pois, se assim fosse, se tornaria uma ditadura. Convém lembrar que até mesmo o regime militar de 1964 manteve um nível de eleições. Ademais, não realizar eleições implicaria abrir as portas para um contexto de pressão internacional que tornaria o regime de não democracia insustentável
Resenha do livro de Mark Blyth. Austeridade: a história de uma ideia perigosa. São Paulo: Autonomia Literária, 2017. 375 p.
O alto risco que se impõe diariamente sobre a vida das jovens mulheres negras aparece como uma condição que tem rebatimentos negativos diretos sobre a democracia brasileira, já que tal situação deve ser entendida como resultado histórico de condutas coletivas socialmente perversas.
Estamos vivendo o final de um ciclo inaugurado em 1988, no qual, aos trancos e barrancos, por força da pressão da sociedade civil organizada, abriram-se brechas para que o difícil processo civilizatório avançasse moderadamente no BrasilSilvio Caccia Bava e Eduardo Fagnani
O ajuste não é a única opção. É a alternativa mais custosa para a grande maioria dos brasileiros e a mais covarde para a coalizão no governo. Além de covarde, nesta altura do campeonato, é suicidaLuciano Wexell Severo