O papel do arquiteto e urbanista na política do patrimônio
A cidade não é um objeto fixo, mas um processo histórico em permanente transformação

A cidade não é um objeto fixo, mas um processo histórico em permanente transformação
Reconhecer ruas de paralelepípedo como parte do patrimônio urbano significa admitir que o chão também conta histórias, e que essas histórias são dignas de resguardo institucional
A arquitetura contemporânea, especialmente aquela alçada à condição de ícone global, raramente se limita à função de abrigar usos: ela comunica, disputa sentidos, reorganiza fluxos urbanos e produz imagens que circulam muito além do lugar onde se insere. Entre a obra construída e a experiência vivida, estabelece-se um campo de tensões que envolve estética, mercado, turismo, poder e cidade
Concebida pelo regime da Alemanha Oriental como uma vitrine da ideologia de Estado, Eisenhüttenstadt foi construída do zero a partir de 1950, nos arredores de um grande complexo siderúrgico. Desde o início, seu status de cidade-modelo socialista se manifestou por meio de uma simbiose única entre arte e arquitetura. Às vésperas do 75º aniversário de sua fundação, sua história e seu patrimônio têm despertado um novo interesse
A Sagrada Família de Gaudí é um sopro catalão futurista; no melhor sentido, é a porta aberta ao futuro a ser revelado. Ao contrário do Brasil, em oposição, negação de exclusão, contraditório no presente, penitente, garantidor de que o passado não feche as portas
As três são imagens que expressam não só como a história dos espaços é, ao mesmo tempo, a história dos poderes constituídos, mas também como uma estrutura arquitetônica ou urbanística pode assumir funções políticas diversas, muitas vezes opostas às ideias evidenciadas pela iconografia política da cidade
Resenha do livro de Edemilson Paraná e Gabriel Tupinambá, Arquitetura de arestas: as esquerdas em tempos de periferização do mundo, publicado neste ano pela Autonomia Literária
O uso do mobiliário urbano como ferramenta de controle do espaço público torna-se uma estratégia de exclusão material que, aliada a políticas de coibição de grupos sociais indesejados, corre o risco de transformar as cidades em lugares cada vez menos acessíveis para a maioria dos pobres
Mas o que significaria liberdade nas condições atuais, para responder à pergunta inicial da Bienal “Como viveremos Juntos?” Significa aceitar nossa sociedade contemporânea, com suas diferenças nacionais, étnicas e culturais e a possibilidade de escolher trajetórias e estilos de vida diversos
Os projetos e obras de Severiano Mário Porto são a prova óbvia não da possibilidade de um discurso sobre uma região, ou de implicações relacionadas ao aspecto meramente geográfico daquele espaço singular, mas de uma imersão cultural
A liberdade chegou a um nível jamais atingido, mas não sabemos o que fazer com ela. Uns até a condenam. Ronda o ódio à democracia. Por que não reivindicar uma democracia mais real? O que vemos são pessoas reclamando de ela ser real demais. Ledo engano. O que não podemos é defender uma democracia disforme, que se desdobra para atender aos interesses capitalistas – a que Hollywood reproduz com excessiva confusão de efeitos especiais e cenas românticas
Ao fazer um desenho no vazio, o corte cria as possibilidades. Desde o nascimento do nosso corpo, nosso espaço no mundo é marcado por um olhar que recorta a superfície de carne e lhe dá um formato, traça uma borda, produzindo a imagem na qual a gente se reconheceSilvia Raimundi Ferreira