A diplomacia cativa sob Jair Bolsonaro
Como poucas vezes em nossa história, as idiossincrasias presidenciais afetam de maneira profunda a política externa do Brasil, prejudicando nossa inserção internacional e causando danos à imagem do país

Como poucas vezes em nossa história, as idiossincrasias presidenciais afetam de maneira profunda a política externa do Brasil, prejudicando nossa inserção internacional e causando danos à imagem do país
O eterno Darcy Ribeiro nos ensinou: “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. Da mesma forma, a manutenção da desigualdade no Brasil não é uma crise, é um projeto desumano engendrado pelas elites. Enquanto a Constituição Federal de 1988 só funcionar para onerar pobres e aliviar as elites, permaneceremos em crise
O impeachment de Dilma Rousseff abriu um caminho de degradação institucional muito mais rápido do que seria possível imaginar naquele momento. A partir desse acontecimento e, principalmente, da eleição de Jair Bolsonaro, novos elementos se acrescentam à tendência antidemocrática, tais como o ataque do Poder Judiciário e das instituições de controle do sistema político
Na censura, na desinformação e no discurso de ódio, o ataque ao gênero converge na atuação de líderes e partidos de extrema direita. Alimentam-se reciprocamente. E esses ataques podem servir para ampliar a adesão popular a líderes cujas agendas são, em outros aspectos, antipopulares. Por isso é tão importante compreender a conexão atual entre a agenda neoliberal e a neoconservadora.
O modelo de desenvolvimento atual, predatório e voltado para o maior lucro imediato é o responsável por essa situação. Não é por outra razão que grandes fazendas que estão na região do Cerrado aterram milhares de riachos e nascentes de água para ampliar sua área de plantio – água que normalmente alimentaria o Pantanal, a caixa-d’água de muitos rios brasileiros.
Como psicopatologia social que devém do colonialismo, o racismo apresenta como sintoma nodal a normalização do reducionismo de um determinado sujeito à cor de sua pele
Passados 25 anos, agora na contramão dos neoliberais de todo o mundo, o atual governo brasileiro continua com os mesmos propósitos de destruir o Estado e os mecanismos de regulação pública. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a intenção é privatizar todas as estatais.
As circunstâncias atuais impostas pela pandemia têm colocado as mulheres à mercê de seu agressor
A fala de um vendedor ambulante de 65 anos que continuava vendendo suas mercadorias pela cidade de São Paulo sintetizou o dilema que rapidamente ganhou o noticiário nacional e internacional: “O que você quer que eu faça? Se não morrer desse vírus, morro de fome. Não posso parar de trabalhar”
No pós-pandemia, o conservadorismo econômico concentrará todos os esforços no resgate de uma suposta normalidade, apoiado no argumento de que a dívida pública cresceu e com uma retórica de que é necessário pagar a conta da crise. De outro lado, será preciso apontar para a hipocrisia e a demagogia desse discurso
Esse imobilismo do campo democrático abre espaço para Bolsonaro avançar em sua estratégia de golpe. Há uma agenda de urgências a ser implementada, e o primeiro passo é a conformação de uma frente antifascista. As disputas entre partidos por força das eleições municipais, que aliás ninguém discute e não sabemos quando vão ocorrer, não podem impedir a formação dessa frente.
Até o momento as notícias que nos chegam são relacionadas principalmente à pandemia dos ricos. Mas como esse cenário de catástrofe global irá se desenrolar entre os 12 milhões de brasileiros que moram em favelas?