A sociedade do auto espetáculo
Nesse auto espetáculo das redes sociais, o indivíduo se coloca como um cineasta de si mesmo, apagando de sua perspectiva o mundo real por trás dessas imagens que o constituem

Nesse auto espetáculo das redes sociais, o indivíduo se coloca como um cineasta de si mesmo, apagando de sua perspectiva o mundo real por trás dessas imagens que o constituem
O patrão dos trabalhadores da EBC é a sociedade brasileira, que paga para mantê-la funcionando. Mas hoje, na prática, a empresa responde apenas à Presidência da República. O sentimento entre os funcionários é que as chefias têm feito um esforço diário para tornar o discurso dos meios de comunicação públicos, sustentados com o dinheiro de todos, cada vez mais parecidos com os da mídia comercial e privada
A história da mídia tem seus mitos. O do grande repórter pronto a desafiar os poderosos ocupa nela um lugar de destaque. A realidade, porém, se mostra menos romântica, principalmente quando nos debruçamos sobre os anos 1930. As condições nas quais Adolf Hitler foi entrevistado por dez vezes pelos enviados especiais franceses antes da guerra expõem o grau de servilismo de um certo jornalismo
Dominique Pinsolle
O verdadeiro bastidor da política é a economia e não os corredores do Congresso Nacional, os jantares entre políticos, as relações entre representantes dos três poderes e entre estes e outras figuras da sociedade, as articulações e alianças partidárias, etc. Tudo isso serve bem como objeto para comentaristas de política das grandes empresas de mídia, que acabam fazendo uma espécie de coluna de fofoca sobre as celebridades do poder. Maurício Abdalla
Nos últimos 65 anos, a Rede Globo ocupou o espaço de um dos principais atores políticos, sempre participando com grande poder de decisão em momentos-chaves. Com o fim do regime militar, por exemplo, teve início a luta pelas “Diretas Já” e a Globo impediu que as imagens de comícios nas ruas fossem exibidas na TV, nos seus jornais e rádios
O Parlamento e o Senado irlandês decidiram, em novembro de 2014, criar uma comissão de investigação sobre os responsáveis pela crise bancária desencadeada em 2008. Em março, no âmbito desse trabalho, os parlamentares incorporaram estudos do canadense a pedido da Comissão, enfatiza, pesquisador dos meios de comunicaçãoJulien Mercille
Pierre Rimbert
Ao cancelar a visita de Estado que faria a Washington, a presidente Dilma destacou a responsabilidade da Casa Branca no caso Snowden. Por outro lado, as transnacionais da internet – parte integrante do sistema de vigilância orquestrado pelos serviços secretos dos Estados Unidos –são frequentemente poupadas das críticasDan Schiller
Há pelo menos quatro problemas graves no sistema comunicacional brasileiro: o quase monopólio na TV aberta, a concentração de poder em virtude do grande número de políticos que detêm concessões, a desigualdade no acesso à internet e as ameaças à liberdade na rede. Uma reforma teria de se concentrar pelo menos nos doisJoão Brant
Repórteres enviados para cobrir as marchas têm sido tratados como alvo tanto pela polícia quanto por manifestantes. Quase vinte comunicadores foram agredidos. A consequência mais visível é o distanciamento entre o repórter e o fato, prejudicando a qualidade da informação entregue ao públicoJoão Paulo Charleaux
A TV pública que não contesta – e, principalmente, que não se distancia do ente público que lhe repassa a verba – é peça decorativa em convescote de autoridades. Não incomoda o poder. Se não incomoda o poder, não incomoda ninguém, e, se não incomoda ninguém, não tem utilidade para ninguémEugenio Bucci
Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapaGabriel Cohn