Brasil 2023: margens de golpes e lutas
Leia o artigo inédito de Alysson Leandro Mascaro, publicado no livro “Brasil sob escombros: desafios do governo Lula para reconstruir o país”, lançamento da editora Boitempo

Leia o artigo inédito de Alysson Leandro Mascaro, publicado no livro “Brasil sob escombros: desafios do governo Lula para reconstruir o país”, lançamento da editora Boitempo
As recentes decisões do governo indiano indicam uma deterioração democrática e a crescente politização da educação, da história e da memória dá indícios de um projeto autoritário de gestão popular
A democracia silenciosamente tende a se erodir e a minar seus princípios básicos. E a ascensão da extrema direita representa um desafio para os sistemas democráticos não em termos do surgimento ou não de tendências neofascistas, mas sim em termos de se a classe política estará à altura da tarefa de isolá-los e removê-los dos postos de tomada de decisão
“O ouro / afunda no mar / madeira / fica por cima…” Assim se inicia o refrão de “O ouro e a madeira”, de Eraldo Gentil, interpretada por gigantes da música brasileira como Originais do Samba e Beth Carvalho e que inspira o título deste artigo. A canção orienta o tom do texto: sobrevivente de um país que nos persegue à morte, o movimento negro brasileiro permanece no front da construção de uma sociedade justa
Em suas contradições, a capital do Paraná pode ser compreendida enquanto um laboratório social para a democracia brasileira
De que Nicarágua estamos falando? Da que se livrou da ditadura em 1979 ou da que votou contra os sandinistas em 1990? Da que voltou a vestir-se de vermelho e preto com o retorno ao governo de Daniel Ortega em 2007 ou da que foi testemunha da mutação de Ortega em tirano?
Toda tentativa de apagar a história recente, de implementar dispositivos de amnésia, carrega em seu próprio coração o rastro daquilo que deseja apagar, a sombra de uma memória eclipsada
As democracias latino-americanas encontram-se ameaçadas pela insatisfação social, pela intervenção militar dissimulada e pela sua deterioração
O que há na multidão do 8 de janeiro é a destruição fascista de toda possibilidade de algo novo, para preservar violentamente os privilégios do velho
É preciso detectar onde teve início o projeto de extermínio colocado em prática pela extrema direita e quais são seus principais atores, pensar se podemos considerar a gestão de Bolsonaro (quatro anos com pretensão de mais quatro) o ápice desse projeto e, por fim, analisar os desafios da atual retomada democrática brasileira
Heleno tem sentimentos fortes com relação ao presidente Lula e talvez o culpe por não ter chegado ao comando da força terrestre
Concentrar as atenções na personalidade abjeta de Bolsonaro, como fizemos esse tempo todo, lançou um véu sobre o fato de que os militares brasileiros permanecem no campo ideológico “amigo-inimigo”, da guerra interna e da doutrina da segurança nacional. Identificamos apenas como psicopatia de um vulgar ex-militar o que é, na verdade, expressão dessa cultura ideológica