Alucinação neofascista e determinação algorítmica
A trama golpista em julgamento expões o deserto do nosso real – a simulação de um Brasil paralelo, cujos signos não se ancoram nos fatos

A trama golpista em julgamento expões o deserto do nosso real – a simulação de um Brasil paralelo, cujos signos não se ancoram nos fatos
O Brasil, assombrado, viu menos soldados e mais figuras desbotadas. Homens que não parecem almejar a morte com honra
Quem respeitaria o direito de um país que permitisse que pais e mães abandonassem seus filhos e continuassem a gozar do status jurídico de pai e mãe?
Em tempos de crise global da democracia liberal, complexifica-se o cenário para manutenção do Partido dos Trabalhadores (PT) na Presidência da República
Essa forma de intervenção política institucionalizada dentro da dinâmica eleitoral, não é uma novidade no sistema político brasileiro
A tentativa de golpe planejada entre 2022-2023 não foi um raio em céu azul; ela vem sendo gestada há décadas.
Não há ditadura ou regime totalitário que não tenha sido antecedido por sinais claros de busca pela corrosão do regime democrático
Leia o artigo inédito de Alysson Leandro Mascaro, publicado no livro “Brasil sob escombros: desafios do governo Lula para reconstruir o país”, lançamento da editora Boitempo
Toda tentativa de apagar a história recente, de implementar dispositivos de amnésia, carrega em seu próprio coração o rastro daquilo que deseja apagar, a sombra de uma memória eclipsada
Apesar de aparentemente ultrapassado o terror vivenciado na capital federal, não podemos esquecer que a conclusão do bolsonarismo, ainda alimentado por seus financiadores intelectuais e econômicos, é de que não há resposta satisfatória à República
A invasão representou o ápice do devaneio salvador, narrativa que corrobora com toda a criação mitológica em torno de uma personalidade. Nesse caso específico o devaneio vem sendo alimentado gradativamente através das redes sociais e dos grupos em aplicativos de mensagens
Não por acaso, diz Milan Kundera que “para liquidar os povos, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história”. Para os que cultuam o inculto, restam os estilhaços da história sem culpa embalados por atordoantes cantigas que sequestram nosso hino nacional em amostras covardes de um falso patriotismo piegas