A universidade e o livre pensar
Professores da UFRJ respondem a artigo publicado no Estadão que criticava curso sobre o golpe de 2016 que eles estão organizando dentro do Instituto de Economia da universidade.

Professores da UFRJ respondem a artigo publicado no Estadão que criticava curso sobre o golpe de 2016 que eles estão organizando dentro do Instituto de Economia da universidade.
As tensões de classe latentes vieram à luz em junho de 2013. O golpe de 2016 foi tramado nesse contexto em que os dividendos econômicos já não davam para todos os segmentos de classe. O “nacionalismo burguês” cedeu espaço à “ditadura preventiva de classe”. Porém, a nova autocracia burguesa não consegue se legitimar facilmente pela força, tampouco está aberta a qualquer negociação com a “classe dos outros”
Um regime de não democracia não pode prescindir de eleições, pois, se assim fosse, se tornaria uma ditadura. Convém lembrar que até mesmo o regime militar de 1964 manteve um nível de eleições. Ademais, não realizar eleições implicaria abrir as portas para um contexto de pressão internacional que tornaria o regime de não democracia insustentável
Pela leitura dos acontecimentos, aqui levanto uma hipótese: a caracterização de um momento de ameaça às instituições, de violência aberta, poderia ser uma justificativa para levar o Congresso a adiar as eleições até que o país entre em normalidade institucional. Suspender as eleições é um risco, pois a população pode reagir, mas para os que se apossaram do poder é um risco calculado, que vale a pena correr para impedir o PT de ganhar as eleições.
Eleições só podem ocorrer com a resolução de duas equações: primeiro, a existência, com chances de vencer, de um candidato à Presidência proveniente do consórcio golpista; segundo, um Congresso majoritariamente igual ao atual ou pior que ele, cujo financiamento privado proveniente de interesses privatistas e do grande capital seja majoritário em número de parlamentares
Se várias universidades resolveram colocar o tema “O golpe de 2016” como objeto de reflexão e ensino, é porque o assunto é digno de ser abordado de maneira científica, metódica e sistemática. Os que possuem outra concepção dos acontecimentos de 2016 também têm autonomia para criar disciplinas e cursos que analisem a realidade sob outra ótica
O papel do Judiciário na canalização das disputas e a crença disseminada de que os tribunais são capazes, em algum grau, de aplicar a lei tal como ela está formulada fazem nascer uma sensação de abandono quando deparamos com uma situação de arbitrariedade judicial indisfarçada. A quem vamos recorrer, quando até a Justiça é injusta?
O ensaio de ocupação militar das áreas urbanas pobres, que após a fase das UPPs recrudesce agora no Rio de Janeiro, pode se estender para outras cidades com os mesmos problemas. Os militares adquiriram experiência no Haiti sobre o controle de áreas urbanas. Há indícios ainda de que no interior das Forças Armadas há uma disputa e uma ala que defende a intervenção militar em razão da falência das instituições.
É importante lembrar que o sentimento de descrença com os processos políticos, que geralmente vem acompanhado pelo autoritarismo e a violência, é uma semente que costuma germinar em terrenos fertilizados pela insatisfação com a economia. Portanto, é curioso que Jair Bolsonaro esteja tão bem cotado nos segmentos sociais mais abastados e supostamente “esclarecidos”
Gilberto Carvalho foi incluído em 2013 na lista dos sessenta nomes mais poderosos do Brasil pelo site IG por participar dos doze anos do governo PT como assessor do ex-presidente Lula e ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República nos governos Dilma. É amigo íntimo e conselheiro de Lula há mais de trinta anos e colabora ativamente na gestão do PT
Sérios indícios de fraude eleitoral lançam descrédito sobre a eleição presidencial hondurenha de 26 de novembro de 2017. O atual presidente, Juan Orlando Hernández, foi reeleito em detrimento do centrista Salvador Nasralla, engajado na luta anticorrupção – com a bênção dos Estados Unidos, onipresentes na vida política e militar do país desde os anos 1980
Este ano, o Brasil caiu 2 pontos no critério direitos pessoais segundo o Social Progress Index e 2.9 pontos no Fragile States Index – ambos índices que olham tanto para segurança, quanto para desenvolvimento. De potência emergente, o País agora é visto como frágil ou fragilizado aos olhos de fora