Reativar o passado, potencializar a história
Resenha do livro História potencial: desaprender o imperialismo de Ariella Aïsha Azoulay (Ubu Editora, 2024, trad. Célia Euvaldo)

Resenha do livro História potencial: desaprender o imperialismo de Ariella Aïsha Azoulay (Ubu Editora, 2024, trad. Célia Euvaldo)
Os bilhões de dólares de ajuda não foram suficientes; a contraofensiva ucraniana falhou. Na esperança de manter os fluxos financeiros vindos das capitais ocidentais, Kiev retrata seu agressor como uma potência colonial que ameaçaria toda a Europa. Retornar à história do Império Russo e ao lugar singular que a Ucrânia ocupa nela é um convite para questionar essa ideia
Há quase cinquenta anos, em 11 de setembro de 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos encerrou a experiência socialista no Chile – e a vida do presidente Salvador Allende. Durante esse período, a gigante das telecomunicações norte-americana ITT desempenhou um papel obscuro na desestabilização do governo. E abriu caminho para os atuais mastodontes do Vale do Silício…
A invasão da Ucrânia por Moscou marca a vitória de uma corrente de pensamento que, desde a queda da União Soviética, defende um confronto militar e civilizacional com o Ocidente. Se a ideologia explica apenas parcialmente uma decisão cujas razões são geopolíticas e militares, a influência crescente desses “falcões” russos contribuiu para desencadear a guerra
Washington faz questão de reiterar regularmente: nenhum país latino-americano está imune às manobras dos Estados Unidos. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acredita que a ameaça justifica a prisão de representantes da oposição, mesmo daqueles que não simpatizam com o imperialismo norte-americano. Para o líder sandinista, a prioridade absoluta é manter a presidência
Navios norte-americanos cruzam o Mar da China. De forma mais silenciosa, Pequim avança seus peões em uma região que a Casa Branca considera um “quintal”: a América Latina. Após tentarem um retorno ao seio de Washington, os governos conservadores do subcontinente, eleitos nos anos 2010, descobriram que os Estados Unidos são um aliado exigente e pouco generoso
Boris Johnson fez campanha para o Brexit alegando que seria o renascimento do país e o início de “uma nova era dourada”, porém o Brexit é alimentado pelas fantasias de um Império 2.0
As invasões do Afeganistão e do Iraque significavam dois governos inimigos retirados do poder. Mas a guerra ao terror não acabara. As ocupações foram seguidas de insurgências e da inabilidade dos estadunidenses e de seus aliados ocidentais em criar condições de criar novos governos com seus aliados locais. A única área em que eles não falharam foi em enriquecer suas petroleiras, empreiteiras e até companhias de mercenários
O Think Thank and Civil Societies Program e os think tanks são resultantes de esforços cotidianos de contenção da democratização. Integram, conforme visto no primeiro texto desta série, movimento de exclusão da participação popular de espaços decisórios
Ao contrário de Biden, militares, diplomatas e acadêmicos americanos sabem e reconhecem que a culpa pelas cenas de horror em Cabul não pode ser atribuída aos próprios afegãos.
O fato de os Estados Unidos serem atualmente um dos maiores produtores de petróleo do mundo levou algumas pessoas a acreditar que o investimento contra o Irã não está mais relacionado com o petróleo