Precisamos conversar sobre a prisão
As prisões de nosso país permanecem sendo máquinas de moer corpos, em sua maioria corpos negros, em sua totalidade corpos econômica e socialmente vulnerabilizados

As prisões de nosso país permanecem sendo máquinas de moer corpos, em sua maioria corpos negros, em sua totalidade corpos econômica e socialmente vulnerabilizados
A partir da perspectiva da Pastoral Carcerária Nacional, a leitura crítica do relatório reforça a compreensão de que a centralidade do encarceramento em massa como resposta à violência tem produzido graves violações e aprofundado desigualdades, sem enfrentar as causas estruturais da insegurança, contribuindo até para a sua reprodução
Negar o acesso à saúde ginecológica não é apenas uma questão de negligência. É uma forma de violência institucional que aprofunda desigualdades, compromete a dignidade das mulheres presas e fere o princípio constitucional da universalidade do SUS. Garantir esse cuidado é urgente, necessário e inadiável
Os anos se passaram e nada mudou, nada melhorou, a cidadania não se estabeleceu. O governo democrático, eleito em 2022, trouxe alento, olhou para a fome, para a injustiça social e trocou o discurso do ódio pelo do afeto, do amor. Ainda assim, diante do sistema prisional, os olhos ainda não foram deitados
Na medida em que, diariamente, aumentam os números de agentes policiais ao redor do Presídio de Mossoró, aumentam as dúvidas sobre o funcionamento da unidade
É preciso colocar um acusado em prisão preventiva? Qual pena impor a um condenado? Para responder a essas perguntas, alguns juízes norte-americanos utilizam algoritmos que analisam milhares de casos anteriores e calculam a probabilidade de reincidência para cada réu. Oficialmente, o método visa reduzir o recurso a fianças e aliviar a superlotação nas prisões. No entanto, ele não está livre de problemas…
O sistema prisional brasileiro está colapsado pela superlotação e, pior, adota a prática do abuso e violações à dignidade da pessoa humana como regra
A garantia dos direitos de um são as garantias dos direitos de todos
Num mar de dores e angústias, aqui darei voz a um preso que sabia como ninguém da prisão. Eu o chamarei pelo meu nome, João Marcos
Ainda que parte da sociedade esteja vislumbrando um horizonte de retorno com o avanço da vacina, há nessa volta uma verdade invisibilizada: não há perspectiva de normalidade para quem sempre esteve na barbárie. A pandemia nas prisões acumulou – e segue amontoando – incontáveis violações de direitos básicos.
O que se percebe é o entrelaçamento entre o caráter seletivo e racial do sistema de justiça criminal, no qual há um direcionamento de controle social concreto à população negra, e que o discurso do “combate” ao tráfico de drogas assume a legitimidade jurídica (e supostamente neutra) desse processo
Nas últimas semanas, cerca de R$ 20 milhões foram destinados pelo Departamento Penitenciário Nacional à aquisição de artefatos como granadas e munições, com o propósito de enfrentamento aos “possíveis tumultos” no sistema prisional em razão da suspensão de visitas